APRESENTAÇÃO

“A TERRA DE QUE A GENTE GOSTA” é expressão que nos agrada. É sentida e é profunda, e é adotada como a ideia força de “TomarOpinião”.

Pretendemos oferecer críticas construtivas e diversificadas sobre os valores, as coisas e as atualidades da nossa terra, e não só. Pretendemos criar um elemento despertador de consciências e de iniciativas de cidadania, e constituir uma referência na abordagem descomprometida desses valores, dessas coisas e dessas atualidades.

Queremos, portanto, estimular o debate, de temas e de ideias, porque acreditamos que dele podem resultar dinâmicas de cidadania, que alicercem mudanças que por certo todos aspiramos.

“TomarOpinião” será um blogue de artigos de opinião e um espaço de expressão livre e responsável, diversificada e ampla.

tomaropiniao@gmail.com


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

PATRIMÓNIO DESPORTIVO

  António Pedro Costa

 O tema património é vasto mas positivo, porque permite escolher um caminho, ou um sentido do que queiramos dizer. Isto é, não faltam opções de “património” para realizar essa escolha. Sendo um desportista e ex-atleta de futebol federado, é acerca do nosso património desportivo que opino. Dois clubes desportivos pontificam na Cidade.
Foi num deles, talvez o mais representativo do concelho, que com tenra idade comecei nos seus escalões infantis. Orgulho-me de ter jogado futebol no União Futebol Comércio e Industria de Tomar. O União de Tomar para além de um clube emblemático, foi uma autêntica escola de vida. Foi lá que fiz amizades para a vida, onde tive muitas alegrias, algumas tristezas, onde também aprendi. Devo aquele clube um pouco daquilo sou hoje. E digo muito obrigado!
   Contudo, foi também com a experiência futebolística que conheci e comecei a vivenciar determinadas situações sociais e políticas. Infelizmente, não vivi os tempos áureos que o União trouxe a Tomar, quando mobilizava o Concelho. Infelizmente, ao longo do tempo fui constatando o declínio e até uma certa indiferença perante um clube que tanto deu à cidade.
 Ora, o assunto pode ser estudado a nível social e até político. Atualmente, os corpos sociais do União de Tomar, são garantidos por pessoas que lutam por uma causa, e que têm amor verdadeiro à camisola que vestem. Agradeço-lhes, como ex-atleta e como tomarense, o trabalho desinteressado que oferecem ao Clube e à Cidade. Sei que não é fácil gerir um clube, ainda por cima com as condições que existem hoje.
  O património desportivo que Tomar tem, deve-se em grande parte ao União de Tomar. E por vezes parece que é esquecido. As razões podem ser variadas, mas o património de honorabilidade e o valor da instituição União de Tomar devia ser mais considerada por Tomar pela classe política.
  Nas minhas ainda frescas memórias, recordo com grande carinho o respeito que os adversários demonstravam pelo União, por tudo aquilo que representou a nível distrital e nacional, e a ambição que tinham em nos vencer.

  O património do União de Tomar, não pode ser esquecido, nem, ser lembrado apenas em épocas festivas. Quando ao final das tardes vemos o “Estádio” Municipal cheio de crianças (e mais a norte, o campo da Nabância também com as camadas jovens), é reconhecimento, gratidão e orgulho que sentimos. O “União” tem um lugar de destaque no nosso coração, e é um baluarte do património desportivo de Tomar. O tratamento que lhe devemos é de dignidade e grande respeito. 

sábado, 24 de setembro de 2016

MATA DOS SETE MONTES: A FLORESTA DAS LENDAS

Carlos Trincão

Nestes dias em que decorrem as Jornadas Europeias do Património, entendi que poderia ser interessante repescar um artigo que publiquei no semanário Cidade de Tomar, em março deste ano. 
Trata-se de uma abordagem em torno do património vegetal que temos em Tomar. 
O que adianto não é de fácil concretização, tais os problemas a contornar. Nem sei mesmo se, ainda que contornando questões de ordem burocrática e outras que tenham a ver com a tutela do sítio para onde defendo a intervenção, seria possível enveredar por tal caminho. De qualquer modo, arriscando a polémica ou a megalomania com que possa ser vista a ideia que apresento, “pela rama”, aqui fica o meu contributo.

A Floresta das Lendas, a concretizar na Mata dos 7 Montes, seria um projecto de animação turístico-cultural em torno das lendas, mitos, fábulas, histórias tradicionais e contos populares, focando a sua actividade na representação e recriação desse Património Imaterial, contribuindo para a animação, recuperação e conservação do lugar, reforçarando a ligação ao Castelo/Convento e enquadrando o imaginário templário como algo a explorar.
Seria um projecto etariamente transversal, que buscaria formas para ultrapassar constrangimentos meteorológicos e incorporaria conceitos como parque temático, campo de férias, acampamento, centro de recursos e recurso educativo, parque de merendas, percursos de lazer e centro de interpretação da Natureza.
Aliar-se-ia a elementos de captação de visitantes, na cidade, como restauração, alojamento e outros, podendo vir a estimular as autoridades para a criação de outros equipamentos de acolhimento, como uma Pousada de Juventude.
Seria um projecto estimulador do crescimento do caudal de visitantes e de criação de emprego, podendo recorrer a empresas e/ou entidades com actividade convergente.
Como as árvores, seria um projecto em crescimento permanente.
A Floresta das Lendas teria percursos para descoberta de lendas, mitos, fábulas, histórias tradicionais e contos populares assentes nos caminhos existentes ou na criação de ligações adicionais, perenes ou efémeras, terrestres ou aéreas (passadiços), utilizando recursos naturais ou construídos pré-existentes, ou a construir de forma sustentável e livre de ruídos ambientais.
Por exemplo, o conto “A casinha de chocolate” implicaria a instalação de um módulo em madeira (cabana), adaptável a outra história ou lenda, sei lá… o “Capuchinho Vermelho”, em rotatividade a definir, pois que seriam aconselháveis esquemas de exploração renováveis, com rentabilização/adaptação dos recursos físicos naturais ou artificiais, conseguindo-se um “parque temático” sempre diferente, logo potenciador de visitas para os mesmos públicos em ocasiões diferentes. E multiplicar-se-iam as cabanas para diversas histórias durante a visita.
Os seres mitológicos (dragões, grifos, unicórnios, sereias, lobisomens, …) traduzir-se-iam em elementos escultóricos auto e inter-activos: em Cracóvia, um dragão deita fogo regularmente ou quando é enviada uma sms para determinado número; ora, pelo mesmo modo bateriam asas do Pégaso, o Minotauro rugiria ou um dragão fumegaria pelas narinas… Pequenas esculturas de duendes, gnomos, fadas e anões propiciariam pistas e informações.
Os desportos radicais convergiriam para a exploração das histórias: parede de escalada para subir à torre da princesa, rappel para fugir do gigante do castelo das nuvens (uma casa numa árvore), slide para um Ícaro a voar e os tanques da Mata seriam fundamentais para lendas com a água por referencial…
Como exploração educativa, a Floresta das Lendas teria um Centro de Interpretação – filmes, música, vestuário, iconografia, informação adaptada ao tipo de visita (individual, grupo, totalidade, ou parte, da oferta…), biblioteca / mediateca, galeria de autores, atividades plásticas, …
A Floresta das Lendas colaboraria com as escolas e com o Ministério da Educação.
A Floresta das Lendas teria recepção, bilheteira e loja, restaurante e café/bar. Não se trataria de cobrar entradas para a Mata, mas sim cobrar entradas para o usufruto das atividades que se escolhessem, em programas pré-definidos e organizados ou, mesmo, para usufruto autónomo tendo por guias aparelhagem adequada, aplicações digitais para telemóvel ou outras soluções.
Em poucas palavras, a ideia seria levar à Mata dos 7 Montes mais um elemento de atração de visitantes, potenciando-a e exponenciando-a com recursos de outra ordem já existentes, como o Centro de Interpretação Ambiental.


domingo, 11 de setembro de 2016

PATRIMÓNIOS...DE CÁ

António Lourenço dos Santos

Património é muito, mas também pode ser nada.
Património é legado e é herança. E é obra permanente de vida. Património é material, é imaterial, e é humano.
Temos de tudo em Tomar. Pouco estamos a aproveitar, muito a desperdiçar.
Porquê, vá-se lá saber.
Será por falta visão e falta de liderança? Há quem diga que sim. Eu também.
Visão para propor o Rumo e para preparar o Futuro, liderança para conduzir nessa direção. E para agir quando é necessário corrigir rotas ou mudar destinos.
Em qualquer circunstancia, em qualquer caso, o património humano é e será sempre o mais importante. Podemos deter as maiores riquezas e as maiores promessas. Mas se não houver quem imprima rumos, quem trace as bissetrizes, quem afirme por onde, quando e como, e quem as valorize e afirme, pouco ou nada será feito.
E pode vir isto a propósito da situação de uma componente decisiva do nosso património coletivo, que é o Instituto Politécnico.
Noticia de ontem, dá conta de mais uma época de resultados (muito) preocupantes no que toca a preenchimento de vagas disponíveis. Na primeira fase, menos de 1/3 de preenchimento (31%), que contrasta com a percentagem equivalente a nível nacional (85%). Mesmo que se sigam repescagens de “linhas atrasadas”, a situação pode receber algum conforto, mas está muito longe de ser brilhante...
Sugere-nos 2 comentários.
O primeiro tem a ver com a delapidação do Património material e imaterial que é o IPT para Tomar. Património porque é, ou pode ser, alfobre de formação de gerações e de fixação de vocações, como já foi o prestigiado CNA; porque poderia ser Centro de investigação e de produção de conhecimentos que valorizasse outros patrimónios que nos pertencem. Património, pelo que representa de polo dinamizador para a economia da Cidade. Delapidação, porque está consecutivamente a perder posições, a perder cursos e oportunidades, porque parece estar a perder conhecimento e vitalidade.
O segundo tem a ver com o desgaste do Património humano que está a acontecer. Ano após ano, desde há alguns anos, baixa ou estagna o numero de candidatos e continua a existir oferta de cursos que ficam vazios. Abandonam Professores e sai conhecimento. Parece, parece repito, que algo devia ser feito para alterar este estado de coisas, que ilustra também o caso de um rumo que carece de ajustamento. A continuar assim, onde vai parar o Instituto?


sábado, 10 de setembro de 2016

FATIAS DE TOMAR: PATRIMÓNIO PARA QUEM?


Carlos Trincão

Leu-se há poucas semanas na web, nos jornais e ouviu-se na TV que Bruxelas classificou o Pão de Ló de Ovar como produto protegido, sendo o 17.º produto português a receber a designação pela Comissão Europeia com a Indicação Geográfica Protegida (IGP).
Ainda pela Imprensa, deu-se a conhecer a todo o País que o “Pão de Ló de Ovar - e a sua miniatura conhecida por Infantes - é um produto de pastelaria à base de ovos, sobretudo gemas, açúcar e farinha. Apresenta-se dentro de uma forma revestida com papel branco, com o formato de uma 'broa', de massa leve, cremosa, fofa e de cor amarela designada por 'ló'. Tem uma côdea fina acastanhada dourada levemente húmida e com o interior de textura húmida. O produto é confecionado no concelho de Ovar, freguesias de Esmoriz, Cortegaça, Maceda, Arada, Ovar, S. João, S. Vicente e Válega.”
Ainda bem, tanto mais que outros produtos gastronómicos portugueses tinham sido já, anos antes, defendidos e certificados.
Quando li a notícia pela primeira vez, no Facebook, teci um comentário em que a certa altura referia que não é com festivaizinhos de doces conventuais que íamos lá (ou coisa que o valha), isto é, que defendíamos convenientemente e com garra as Fatias de Tomar, o doce tomarense por excelência.
Faz agora (já fez, em fevereiro) 10 anos, apresentei na Assembleia Municipal, em nome do Bloco de Esquerda, uma proposta sobre Doçaria Tradicional assente no Programa Eleitoral e na vertente da nossa Proposta de Plano de Desenvolvimento Concelhio, que aqui me dispenso de referir, na qual, com o triplo objectivo de defender e promover a cultura gastronómica tomarense, reforçar a promoção turística de Tomar e estimular uma dinâmica económica em torno das “Fatias”, se propunha à Assembleia Municipal que sensibilizasse o Executivo para a vantagem da criação de um “momento gastronómico” anual potenciador das “Fatias de Tomar”, se possível ainda durante o ano de 2006, para a vantagem do registo da patente da “panela tradicional” em benefício dos artesãos locais que ainda a produzem e para a criação do “Núcleo da Latoaria” no âmbito do Museu Municipal de Tomar.
Na altura, o PSD, talvez a pensar que se estava a falar de um qualquer assunto perigoso e fracturante da sociedade, inviabilizou a proposta. Mas teve a hipótese de se redimir, em abril do mesmo ano, quando voltei à carga.
O problema foi depois!
Primeiro que o Executivo decidisse dar corda aos sapatos passaram-se eternidades e quando, enfim, a coisa nasceu, apresentada nos Lagares d’El Rey pomposamente, mas sem pompa, e circunstancialmente, mas sem circunstância, dei por a mim a pensar: Caramba… mas não foi nada disto que a Assembleia Municipal aprovou!” Ainda por cima, algo que tinha nascido por causa das “Fatias”, era acompanhado com uma degustação de “Beija-me Depressa”…
De facto, foi criado, à moda de Alcobaça, mas muito mal copiado, um festivalzito de doces tradicionais tomarenses, prolongado no tempo de umas semanas mas sem um momento verdadeiramente catalisador e captador de visitantes. Ainda aí veio a televisão, uma vez, parece. De fugida e no meio de um dos programas de animação das manhãs.
Bem… quando se faz uma coisa a copiar outra, como o festival de Alcobaça, que até tem promovido a criação de novos produtos, fica-se sempre por baixo porque, simplesmente, estamos a copiar e a não dar alma.
Resultado: a coisa ficou, ficou, ficou:
As Fatias ficaram para trás na sua defesa, certificação e promoção. A panela OVAL ficou CIRCULAR. O apoio aos artesãos ficou no papel. E o Núcleo da Latoaria ficou no esquecimento.
E agora que a Câmara já não é PSD, mas de Partidos que aprovaram a dita proposta de há dez anos… deixam tudo na mesma.
Eu sei que as Fatias são uma bomba calórica que deve fazer mal como sei lá o quê e que dá uma trabalheira de se lhe tirar o chapéu. Deve ser por isso que não lhe ligam nenhuma.

É o que temos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

CRIME - O ILÍCITO DESINTERESSE

  António Alexandre

É suposto que a cidadania, principalmente em democracia, nos dá e garante direitos, mas também nos obriga, no interesse geral e da própria comunidade, a certas regras, leis e convenções, tanto a nível do nosso país como do mundo em geral.
Existem assim questões que nos limitam, nos condicionam, mas também nos garantem certas coisas, que vão desde a segurança de pessoas e bens, regulam tudo ou quase tudo das nossas vidas, incluindo as relações comercias os direitos dos cidadãos em geral, mas também dos desprotegidos, dos mais novos, dos mais velhos, dos animais, do ambiente, da forma como o estado deve ser gerido, das instituições públicas e privadas, da velocidade com que podemos andar nas estradas, onde se pode fumar e o que podemos beber, quando se conduz um automóvel e mais uma interminável lista de coisas.
Estamos por isso mesmo, sem algumas vezes darmos por isso, obrigados a leis e normas, que uma vez ultrapassadas podem vir a ser consideradas crime e por isso mesmo condenados a indemnizar a sociedade, algumas vezes ressarcindo a sociedade pela perda cometida, por esses crimes e outras vezes como castigo desse crime, aos interesses da sociedade seja ela local, nacional ou internacional, da empresa e ou do cidadão.
Tudo isto nos leva também para a actual banalização e para a desvalorização dos muitos crimes, que todos os dias nos chegam ao conhecimento, sejam eles de pequena monta ou de milhões, de uma morte ou de milhares de mortes.
Quantas vezes uma má gestão, de um banco, de uma empresa pública ou privada, de uma junta de freguesia, câmara, ipss, ou até de um governo, fica sem castigo e é inclusive desvalorizado pela comunidade.
Questões em que devemos refletir, para mais quando vivemos tempos difíceis, pois na minha opinião os cidadãos em geral, pelo desinteresse que demonstram por muitas destas coisas, são eles também culpados dos crescentes casos e do aumento dos prejuízos causados à sociedade.
“Uma conduta só será considerada criminosa se for típica, ilícita e culpável, uma vez que os motivos e objetivos subjetivos do agente, são analisados e decisivos para a caracterização ou não da Infração. A conduta só será considerada criminosa, se for reconhecido o dolo na motivação do agente criminoso, ou a culpa, quando a Lei Penal expressamente prever esta possibilidade.”
Por tudo isto e uma carrada de outras coisas, que muitos de nós sabemos, vemos e calculámos, são constantemente e diariamente praticados crimes, passiveis de culpa por ai, no país e no mundo, que não chegam ao local certo que seria o tribunal, mas pela sua banalização tem o desinteresse dos cidadãos, coisa que me parece passível de ser também isso considerado crime.
Claro que o tema no levava horas a discorrer, pois se entrássemos por certas áreas, como os crimes do colarinho branco, com gravata ou sem gravata, muito se poderia dizer, tal como dos que se servem em proveito próprio dos lugares, dos que ocupando certos lugares nada fazem para cumprir essas obrigações, ou dos que nos governos são os diretamente culpados por milhões mortos, mas em tempo de guerra não se limpam armas e o tempo que vivemos é de guerra, económica, de valores e de apropriação dos bens comuns, assim parece-me que nem um possível Secretário Geral da ONU Português, nos poderá salvar na minha opinião e pelo que se vai vendo, cá em Portugal e no mundo.

domingo, 31 de julho de 2016

A ARTE DE BEM RECEBER

  Mário Cobra

Em tempo de calor, turismo em frenesim, a autarquia tomarense muito se esforça por receber os visitantes de forma galharda mas uns tantos residentes parecem não compreender. Dever ser da brasa que até assa canas (há sacanas).
Graças as aspersores dos jardins dirigidos para a via pública, os visitantes são presenteados com um banho absolutamente gratuito. Faltará apenas o aviso aos incautos “Venham visitar Tomar trajando calção de banho”. 
Outra motivação será o executivo, com base em estratégias de executivos anteriores, poder receber os visitantes em parque de estacionamento subterrâneo cuja construção terá sido a mais cara do mundo. Isso sim, é obra. Nas traseiras dos Paços do Concelho.   
Nos próximos fins-de-semana alargados, os visitantes que pernoitem no hotel serão presenteados com música popular motivadora de uma noite romântica. Imaginamos um casal na cama ardente embalado pela música de Quim Barreiros “Eu gosto de mamar nas tetas da cabritinha”, ou “Vamos brindar, vamos beber, quem faz 69 nunca mais vai esquecer”.
Há dias, domingo quente, visitantes deglutindo o almoço, encostados à espécie de rede que circunda o encerrado parque infantil na zona desportiva. Pessoal sentado nas geleiras. Inconveniente de qualquer geleira aquecer com o bafo do rabo. Outrora existiam ali mesas onde os excursionistas podiam embutir o pitéu. Ora, por falta de mesas, o executivo podia impedir que os visitantes carregados de farnéis ali comessem. Nada disso, no sentido de bem receber, a autarquia permite que os excursionistas comam no chão, de borla. Claro que o povo podia abancar à sombra, na relva, mas desconhecem que só o podem fazer caso se identifiquem como uma excursão templária. Só as festas templárias podem espezinhar a relva porque são a marca turística deste executivo. Não se sabe onde os arautos foram descobrir que D. Gualdim Pais era paladino de festas e romarias mas lá terão os seus investigadores.  
Por outro lado, se os Templários vestem capa, este executivo entendeu estrategicamente vestir a cidade de capim. Assim se pode ler no inconformado “Tomar a dinteira3”. 
- Na outrora bem cuidada Várzea Grande, frente ao Palácio da Justiça e no caminho de quem chega a Tomar pelos transportes públicos, temos o padrão, cuja base está tipo terreno baldio abandonado. (Conforme foto de “Tomar a dianteira)





sexta-feira, 29 de julho de 2016

A PENA DE MORTE

  Carlos Carvalheiro

Eu sei que este blog é para opinar sobre de coisas de Tomar, tendo cada um dos bloguistas aceitado escrever uma vez por mês sobre um tema comum, mas, como o tema de julho é o “crime”, puxa-me mais para escrever a pensar na Europa do que no que se passa debaixo das arcadas da Câmara fora das horas de expediente.

E isto a propósito das recentes declarações do presidente da Turquia, que quer reimplantar a pena de morte no seu país. Ouvi-o na televisão a justificar: “Os Estados Unidos não têm pena de morte? Tal como a Rússia? Tal como a China? Porque não poderá a Turquia tê-la também?”

A argumentação não podia ser mais linear. 

E, no entanto, uma das coisas que distingue os Valores da Europa dos de outros países civilizados (países que põem o primado na Lei e que diferenciam Estado e Igreja) é que, primeiro, foram instaurados, enquanto Valores, o tríptico de Liberdade - Igualdade - Fraternidade, resultantes da Revolução Francesa (séc. XVIII); depois foi abolida a pena de morte (séc. XIX), abolição essa de que Portugal se pode orgulhar de ter sido um dos pioneiros; e, finalmente, foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos do Homem (séc. XX), que começa, como a maior parte das pessoas sabe, com a célebre «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos» e que continua com a menos conhecida mas não menos importante «Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para os outros com espírito de fraternidade», declaração essa que, entre outras coisas, ilegaliza o delito de opinião. 

Ora, tendo o presidente da Turquia, na sequência de um putativo golpe de Estado, no mesmo dia e à mesma hora, mandado prender nove mil presumíveis opositores (faz lembrar a prisão de todos os templários de França, na sexta feira 13 de outubro de 1307, ordenada, meses antes, pelo rei Filipe, o Belo), entre juízes, médicos, militares, jornalistas, professores e etc., pelo “delito” de serem opositores, ou seja, por delito de opinião, quer, agora, reimplantar a pena de morte na Turquia, com a intenção clara de exterminar a oposição ao regime sem ser acusado de crime contra a Humanidade.

Talvez se safe deste crime, mas cometeu os dois primeiros: prende por delito de opinião e quer reimplantar a pena de morte. Assim tornará impossível a integração da Turquia na Europa comunitária. 

Ainda bem.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

ALÉM-FRONTEIRAS / AQUÉM-FRONTEIRAS

Carlos Trincão

Tive que intervalar largas semanas, que o tempo, ao contrário do que pensamos, não dá para tudo. Até porque a gente, com a velocidade dos dias não dá pelo passar da vida…
Ainda atrasado no tema do mês passado, transformo-o agora no post livre. O crime fica para outro dia, ainda em Julho.
Frenesim era em Tomar, nos dias seguintes ao 25 de Abril: a sofreguidão por notícias era tanta que as pessoas iam à estação dos comboios esperar os jornais. Os revendedores que ali iam buscá-los, aí logo os vendiam! Improvisavam a banca naquele balcão largo e baixo que separava a área dos passageiros da área de despachos e preparação de carga. Largavam os maços atados, desatavam-nos à navalhada e tinham que ter cuidado com algum cliente mais impaciente que se apressasse a pegar no jornal e se esquecesse de pagar.
Frenesim é agora por essa Europa fora, atentado atrás de atentado. Frenesim é agora na Turquia, golpe atrás de golpe. O problema, para variar, está nos homens, que aqui nem me atrevo a escrever com agá grande.
            O que me chateia é que o pessoal anda todo às turras por causa de nada a não ser esta ideia maluca de querer mandar nos outros à força. E depois, malham uns nos outros em nome do mesmo Pai: Alá, Jeová e Deus.
            Vai para largos anos, quando estive pela primeira vez na Turquia, se houve locais onde encontrei Tolerância com muitos tês maiúsculos foi, precisamente, nas mesquitas. Aliás, as notas de viagem turcas eram invariavelmente escritas nas mesquitas, pernas cruzadas e rabo no chão. O silêncio, o recolhimento e a frescura davam o tom ideal.
Agora, as coisas talvez comecem a ser bem diferentes. Não sei.
Nessa altura, e penso que ainda será, Kornurlar era uma aldeia perdida que nem vem no mapa. Calhava ficar mesmo à borda de um caravanserai da antiga Rota da Seda, entre Bursa e Iznic, a velha Niceia.
            Só isso já dava que pensar: Niceia, Concílio de Niceia quando o Cristianismo tinha dentes de leite, Credo oficial da Igreja… cuja igreja onde tudo aconteceu se visita agora num país de religião islâmica.
            Em Kornurlar, a vida seguia o ritmo não frenético da transumância, razão para que os amigos que ali fiz me dissessem que não precisavam de grandes casas. E realmente…
            As casas são o que são e que eu vi, mas a Mesquita era o seu ai-jesus, passo a expressão: simples, mas um mimo! Porém, o curioso é uma das pedras de uma das paredes exteriores de suporte com uma cruz cristã gravada que me apontavam com orgulho e sorrisos.
            Então porque é que a gente complica as coisas?
          Eu sei que houve a Guerra Santa; mas também houve Cruzadas, algumas tipo-vá-para-fora-cá-dentro, como aquela contra os Albigences, já para não falar da Inquisição ou do saque de Constantinopla. De modo que não vale a pena ir por aí, pois todos têm culpa no cartório. Nem vale a pena falar de minorias fundamentalistas, porque fundamentalistas também são muitas maiorias, islâmicas, judaicas ou cristãs. Ou políticas, mas isso é outra história. Ou não?
            Caramba, porque é que as coisas não são assim tão simples como naquela parede de Kornurlar?