APRESENTAÇÃO
“A TERRA DE QUE A GENTE GOSTA” é expressão que nos agrada. É sentida e é profunda, e é adotada como a ideia força de “TomarOpinião”.
Pretendemos oferecer críticas construtivas e diversificadas sobre os valores, as coisas e as atualidades da nossa terra, e não só. Pretendemos criar um elemento despertador de consciências e de iniciativas de cidadania, e constituir uma referência na abordagem descomprometida desses valores, dessas coisas e dessas atualidades.
Queremos, portanto, estimular o debate, de temas e de ideias, porque acreditamos que dele podem resultar dinâmicas de cidadania, que alicercem mudanças que por certo todos aspiramos.
“TomarOpinião” será um blogue de artigos de opinião e um espaço de expressão livre e responsável, diversificada e ampla.
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sábado, 17 de dezembro de 2016
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Jardins a Tomar
Contudo, estas designações não abrangem todas as realidades. Elas excluem as composições arquitectónicas e vegetais de certa forma condicionadas e desenvolvidas em contextos excedentários nas grandes civilizações do passado. Por exemplo, os jardins milenares de Conimbriga, nem sempre encerrados, quando públicos, mesmo que fechados como "viridia" em peristilos e "hortus", delimitados por alvenarias altas, nas traseiras de casas de ricos proprietários.
Acresce ainda que a definição de jardim, se considerado como espaço de deleite e recreio, poderá vir a revelar-se exclusiva quando aplicada a composições maneiristas como o Bosque Sagrado de Bomarzo, Itália, marcadas pela instabilidade, hermetismo e ansiedade ou então obras de feição romântica, como os parques Hafod e Hawkstone, no Reino Unido, onde se propiciavam inseguranças, temores e até pavores.
E o que dizer dos conceitos orientais, onde o "jardim" pode incorporar materiais vivos em perfeita harmonia com materiais "mortos" (inertes) ou, no limite, ser exclusivamente construído de pedras, aparentemente amorfas, de onde, no entanto, se podem absorver sensações que extravasam o plano físico do ser humano?
Em suma, um jardim pode ser uma coisa complicada!
Em Tomar, outrora cultora do epíteto Cidade Jardim, deveremos utilizar apenas o termo "espaço verde". Este é o termo técnico acertado para a esmagadora maioria das áreas onde é dada à natureza, alguma ... folga.
Não querendo, propositadamente, abordar a Mata dos Sete Montes, cuja problemática permitirá uma abordagem noutro artigo, restam-nos os emblemáticos jardins à beira rio. Cada vez mais institucionalizados, cada vez mais vilipendiados por públicos ávidos de espaço, incapazes de reconhecer neles uma história, um desígnio, uma herança.
Por outro lado, na parte da gestão, continua a eterna confusão entre um jardim e um canteiro, como se a diferença de tamanhos não acarretasse mais do que a mão de obra. Como se a boa vontade tornasse as plantas imunes à sanha da populaça ignorante e ao inexorável castigo das leis da natureza.
Tomar precisa, de facto, de mais e bons jardineiros ... mas precisa, também, de melhores utentes dos espaços públicos.
Voltando aos mestres: "jardim: uma intenção, uma composição, um objectivo estético, uma paisagem, mais do que uma superfície aberta, nem sempre real"
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Património ou as "Coisas complicadas da Terra Tomarense"
Rui Ferreira
Após um século de natural e desejado desenvolvimento, as coisitas antigas que por aqui sobrevivem contribuem directa e inequivocamente para a indústria do momento: o Turismo.
Tenho a certeza que quem nos visita e se detém alguns dias na cidade, não prescinde de visitar o centro histórico onde infelizmente a degradação dos edifícios, a falta de ordenamento das infraestruturas públicas e, sejamos francos, alguma ignorância, contribuem para uma paisagem edificada medíocre.
A mediocridade com que temos cuidado, e continuamos a cuidar, o nosso património radica, na minha opinião, na nossa falta de formação cultural. Existe uma endémica indiferença pela coisa histórica.
Por exemplo, há anos manifestei a minha indignação face ao abandono a que a Charolinha estava votada.
Congratulo-me agora com o restauro que aquele singular edifício sofreu. Graças às vontades do Município de Tomar, do Instituto Politécnico de Tomar e ainda de docentes e alunos do Curso de Conservação e Restauro do IPT, conseguiu-se travar a degradação da Charolinha e acabar com a vergonha que o seu estado nos causava.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
MAS QUE RAIO DE TEMA ESCOLHERAM PARA ESTE MÊS - "FRENESIM"
Assim, de repente, este termo de origem grega suscita-me a imagem de um crocodilo, dentro de água, às voltas com uma presa dilacerada na boca ou então milhares de formigas sobre um cadáver... É algo assim, irracional, primitivo, visceral, cru, enfim... animal.
Não deve, por isso, ser estranho que utilizemos este substantivo para aludir a estados anómalos, tanto dos indivíduos como da sociedade. De facto, uma das suas conotações mais comuns é a impaciência. Essa condição afecta-nos, a todos, de um modo atroz. A gestão das expectativas de cada individuo depende de milhares de factores, tanto endógenos como exógenos. Um deles, e talvez o mais importante, é o do prazer ou da auto-satisfação.
O prazer, a satisfação e mesmo a felicidade (consagrada, como direito alienável, na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América) são hoje considerados objectivos legítimos e transversais na sociedade. O sucesso, o poder e o bem estar são chavões publicitários e modelos de vida aos quais, aparentemente, não existe alternativa. Talvez por isso o dever, o serviço e a solidariedade andem pelas "ruas da amargura". As pessoas não pensam, ... reagem. Não procuram, ... é-lhes facultado. Não opinam, ... escolhem de uma lista pré-preparada. Gritam, ... não comunicam. Competem, ... não jogam.
Em 1977, na sua obra "O macroscópio: para uma visão global", o biólogo molecular Joel de Rosnay, escrevia o seguinte:
"Numa região do hipotálamo existem feixes de fibras nervosas que parecem desempenhar um papel essencial no sistema de recompensa do organismo. Se se estimular por meio de descargas eléctricas numa cobaia um destes feixes, o animal desata a comer com voracidade. Em presença de animais do sexo oposto copulará com frenesim. Se lhe deixarmos a possibilidade de ele próprio estimular este centro de prazer, ele próprio entregar-se-á, até à exaustão, a esta actividade narcisista levando a frequência dos estímulos até 8.000 por dia!"
Este cientista e futurista especulava sobre o facto de um ser vivo poder, directamente, estimular aquela região do cérebro (o hipotálamo), considerada a "parte primitiva do nosso sistema nervoso".
Creio que a sociedade humana desenvolveu essa faculdade. A humanidade, cujo desígnio segundo muitos, seriam as estrelas, encontra-se ocupada a tentar estimular o seu "cérebro primitivo", num frenesim de irracionalidade ao qual, nem o vislumbre da morte, parece pôr termo.
domingo, 29 de maio de 2016
QUESTIONÁRIO: QUE TIPO DE CONDUTOR(A) TOMARENSE É VOCÊ?
Q- Habita e trabalha em Tomar. Pela manhã desloca-se de casa para o trabalho:
1 - A pé. Acorda mais cedo, faz exercício, leva os miúdos à escola e faz as compras com calma ou numa ocasião posterior.
2 - De carro. Indo a pé não teria tempo de beber um café e falar com os amigos. Além disso tem os filhos para deixar na escola, compras para fazer à hora de almoço ou logo após o trabalho.
Q- Quando circula de automóvel na cidade e precisa de ir, por exemplo, ao banco, ao café ou à padaria estaciona:
1- Num local de estacionamento apropriado onde não atrapalha o trânsito automóvel nem a segurança dos peões.
2- Na rua, em segunda fila, com o veículo fechado à chave, sem sequer ligar os quatro piscas. Não tem problemas em estacionar junto às passadeiras, pois enquanto sai do seu carro e abre a porta, como se fosse uma estrela de Hollywood, os outros condutores abrandam sempre.
Q- Quando usa uma zona de parquímetros, estaciona num lugar vago e seguidamente:
1- Desloca-se ao parquímetro e paga o suficiente para o tempo que calcula necessário. Volta ao carro, deixa o talão comprovativo e vai à sua vida.
2- Não mete moeda no parquímetro. É só um bocadinho. Ninguém vai notar. No tablier do carro está um talão da semana passada que passa bem por válido.
3- Evita os lugares disponíveis, fica na berma ou atrás dos veículos estacionados no parque taxado e liga os quatro piscas. O seu estacionamento é uma emergência que, naturalmente se sobrepõe à vida de todos os otários que usam parquímetros.
Q- É cliente de um estabelecimento da Av. Cândido Madureira. Quando ali vai às compras, estaciona:
1- Num local de estacionamento apropriado onde não atrapalha o trânsito nem a circulação dos peões, normalmente na Várzea Grande ou numa artéria adjacente.
2- Num dos locais de estacionamento reservados à PSP, a deficientes ou a cargas e descargas. São lugares mágicos e toda a gente sabe que Tomar é uma cidade mística.
3- Em segunda fila, apesar de, na faixa de trânsito contrária, já se encontrar outro veículo estacionado em segunda fila. Você sabe que nesta rua a polícia não atua assiduamente e ainda se lembra de que antigamente esta rua era tão larga que até tinha um passeio ao meio.
Q- Na Alameda Um de Março, perde a oportunidade de estacionar num lugar vago, ocupado nesse mesmo momento pelo veículo de alguém que entra de seguida numa loja. O que faz:
1- Procura outro lugar de estacionamento vago, nem que esteja bastante longe.
2- Buzina violentamente, pois considera que aquele lugar era seu.
3- Estaciona na faixa de rodagem, “trancando” o veículo que estacionou há poucos segundos, pois tem a certeza absoluta que aquele condutor irá demorar mais tempo que você.
Q- Quando vai, de carro, levar ou buscar os seus filhos à escola, estaciona:
1- Num local disponível, mesmo afastado do edifício da escola. É bom andar a pé e o caminho de regresso ao carro constitui sempre uma oportunidade de encontrar e falar com outros pais ou colegas dos seus filhos.
2- A menos de 20 metros da porta da escola, em cima de um passeio, num lugar reservado a deficientes, em segunda ou terceira fila, etc. A segurança dos seus filhos é fundamental e nada irá opor-se à tranquilidade de receber as suas crianças sob um coro de buzinadelas.
RESULTADOS (soma dos números das suas respostas)
6 a 8 - Parabéns!
A sua atuação é considerada civilizada e socialmente relevante. A sua saúde agradece e os seus filhos gostam de caminhar consigo por Tomar.
9 a 11 - Tenha paciência!
Você é uma vítima da anedótica gestão rodoviária de Tomar. Que começa em coisas tão simples como os horários de operação das máquinas dos serviços urbanos nas ruas da cidade, passando pelo incompreensível tardar do programa de parquímetros, pelo anedótico estado geral dos pisos rodoviários até à constatável desistência, por parte da polícia, em punir imediata e assiduamente os condutores sem consciência cívica.
12 a 15 - Lamento!
Você vive na ilusão de que Tomar é uma aldeia do faroeste. O que você deseja é, exatamente, atar os arreios da besta do seu carro à porta de um saloon, para nele entrar aos tiros.




