APRESENTAÇÃO

“A TERRA DE QUE A GENTE GOSTA” é expressão que nos agrada. É sentida e é profunda, e é adotada como a ideia força de “TomarOpinião”.

Pretendemos oferecer críticas construtivas e diversificadas sobre os valores, as coisas e as atualidades da nossa terra, e não só. Pretendemos criar um elemento despertador de consciências e de iniciativas de cidadania, e constituir uma referência na abordagem descomprometida desses valores, dessas coisas e dessas atualidades.

Queremos, portanto, estimular o debate, de temas e de ideias, porque acreditamos que dele podem resultar dinâmicas de cidadania, que alicercem mudanças que por certo todos aspiramos.

“TomarOpinião” será um blogue de artigos de opinião e um espaço de expressão livre e responsável, diversificada e ampla.

tomaropiniao@gmail.com


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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

CIDADE JARDIM

Carlos Carvalheiro

Muito boa opinião se ouve sobre a beleza dos jardins de Tomar de antanho, praticamente todos ajardinados pelo então presidente da Câmara capitão Oliveira, que veio mais tarde a ser conhecido por general, e a quem se deve o epíteto de “Tomar - Cidade Jardim” (e que o meu amigo Manuel Tereso, quando o conheci numa boleia que ele me deu, denegria dizendo que ele tratava Tomar como se fosse a Quinta dele).

Não me parece que haja desmérito em tratar bem as coisas as coisas públicas. Nem em tratar com cuidado os nossos jardins. Mas os belos jardins que temos na memória e que tantos elogios nos mereciam, foram idealizados para uma cidade pequena, com cerca de 20 mil habitantes, numa altura em que o turismo era incipente.

O mundo mudou.

Hoje o turismo movimenta, para Tomar, muita gente. E com tendência para aumentar. Por isso, o conceito de “jardim” precisaria de ser ampliado, também em área. Se quisermos falar em “jardins”, já não nos podemos limitar ao da Várzea Pequena ou ao do antigo Mouchão. Temos de pensar em espaços verdes, para a esquerda e para a direita, do Açude de Pedra a S. Lourenço.

Com uma frente de rio destas, qualquer turista nos voltaria a reconhecer o epíteto de Cidade Jardim.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

JARDINS POLÍTICOS


  António Pedro Costa

O tema deste mês permitiu-me pôr a imaginação ao serviço de um tema muito discutido, a política. É possível criar uma metáfora e comparar o mundo político com um, ou até com vários jardins. Consequentemente, os seres que estão envolvidos nesse campo podemos ver como flores. Aos eleitores chamemos de jardineiros.
Nos jardins políticos, continuamente estão a nascer e a crescer novas plantas. No espaço americano, por exemplo, deparamo-nos com uma flor dourada e reluzente que subiu a um pedestal deixando algumas incógnitas. Será que vai querer relacionar-se com as outras plantas, quer a nível interno, quer a nível externo? Será que vai corresponder aos jardineiros, graças aos quais existe, de alguma forma diferente? Numa pequena reflexão, estou convicto de que o motivo do aparecimento desta flor foi o facto de as plantas que estão tradicionalmente plantadas nos jardins, estarem murchas e sem resposta aos jardineiros, que todos os dias regam as mesmas, não existem melhorias, nem esperança de jardins bonitos.
      Pelo jardim europeu os sintomas de doença são evidentes, pois existem cada vez mais jardineiros desiludidos com as flores que desabrocham. Os jardineiros que plantam as sementes, na expectativa de terem grandes resultados e um jardim estável e bonito, acabam por criar apenas fungos e umas ervas daninhas difíceis de vencer.
        A nível nacional, o horto não é muito diferente. Vivemos num lugar onde há uma predominância de rosas, com umas ervas que dão um pouco de alento às rosas - resta perceber se as borrifadelas e o cheiro que agrada aos jardineiros aguenta. A nível local, temos o nosso pequeno jardim. Tem várias espécies, que vão habitando e digladiando-se entre si com algum entusiasmo. Certas plantas gostam de libertar pólenes que causam alergia aos jardineiros que querem viver pelo jardim tomarense e até tornar este local seu. A ausência de flores consistentes, maduras e revitalizadoras é preocupante. Mas ainda existe esperança num local bonito. Existem sementes prontas a serem cultivadas e os jardineiros já o entenderam. A expectativa de uma boa colheita é real. 
         Concluindo, os jardineiros, hoje em dia tem mais informação, e procuram uma intervenção mais profunda nos canteiros. A exigência para termos o nosso local com uma estratégia, uma organização e um aumento de interesse por parte dos jardineiros, pode estar apenas na escolha madura, responsável e preparada. As sementes estão prontas a ser deitadas à terra.

sábado, 12 de novembro de 2016

AgroALL, RepúblicAALS & ETC


Carlos Carvalheiro

entre setembro soalheiro e novembro tardio de 2016

Tinha eu um artigo do blog do mês de setembro em atraso, sobre “Património”, tinha pensado em escrever sobre o Agroal, a principal nascente do Nabão que esteve quase a ser canalizada nos anos 60 para abastecer Ourém, quando recebo a sugestão para o mês de outubro, “República” e, porque os bloguistas do Tomar Opinião têm o hábito de responder a todos, recebo no meu mail a resposta do António Lourenço dos Santos à sugestão com: “Por mim, viva a REPUBLICAALS”

E pensei eu: Querem ver que aquele gajo, para dizer bem de “todas as repúblicas” teve a mesma ideia que eu de roubar a graça que o Turismo do Algarve fez ao chamar-lhe ALLgarve e passarmos a dizer, em vez de Agroal, AgroALL?

Mas afinal não. Abri o mail e o que lá estava no fim do “viva a República” era “ALS”, as iniciais do dito.

Fiquei mais descansado por que afinal a minha “graça” sobre o Agroal permanecia, sempre podia dizer bem do dito, eu acho que a gente não dá valor ao que tem aqui na nossa região, umas termas tão boas na principal nascente do rio Nabão, a uns 14 km da cidade, na raia com Ourém, fazemos de conta que aquilo fica longe, esquecemo-nos, não ligamos, desmerecemos, etc… e sem esquecer que até vendem por lá pasteis de chícharo, aquela parece que leguminosa que dá o nome a um festival em Alvaiázere, cuja corruptela poderia ser AlvaiAZAR, mas não ficava lá muito bem. Tal como o EntroncaMENTE, embora aquilo da circulação do trânsito o faça com todos os dentes que tem na boca. No Porto, como são uns “caseiros”, inventaram o “Porto ponto”, que se explica muito bem. Se ao menos fossemos da Figueira da Foz, poderíamos sempre utilizar a ideia do meu amigo João Damasceno que insiste que se devia chamar-lhe “FiGAYra da Foz”, para atingir nichos de mercado, se não interessantes, pelo menos numerosos. Mas o melhor que temos por cá é a graça de “quem vai para Abrantes deixa Tomar atrás”, o que não é bem a mesma coisa. Por CÁ não está fácil…

Tal como com o presente blog… Primeiro que a malta se decida a escrever alguma coisa…

domingo, 23 de outubro de 2016

TOMAR É A MINHA REPÚBLICA

Carlos Trincão

Tomar é onde a calma das manhãs tem coisas que a pressa dos dias não permite descortinar. É por isso que só às vezes, quando os olhos, o acaso e a Alma se encontram num mesmo instante, vemos o que está sempre à nossa frente...
A minha cidade é uma viagem no tempo que pode começar logo de manhã, quando acordo e olho a silhueta do Castelo. Ali se guardam os antigos segredos templários; e, no Convento e em cada claustro, novas razões para uma atenção redobrada às preciosidades reconhecidas como Património Mundial, onde espreita a Janela do Capítulo, janela do mundo aberta para a cidade e para o mistério. Ou janela da Cidade a abrir caminhos ao Mundo?
Cidade-Jardim, assim também se chama, a dar a certeza de que aqui sempre a Natureza e o Homem viveram em harmonia. Dir-se-ia que as pedras monumentais, a água e as plantas conjugaram esforços para aqui fazer um lugar de sonho que também se descobre nos pormenores, nas janelas e portais, na serena presença dos antepassados, nas mãos do Povo que enchem as ruas de cor e perfume.
A cidade descobre-se logo pela manhã, ao lado do Nabão a imaginar-lhe o cheiro depois de atravessar a cidade de uma ponta à outra debaixo de um sol danado de bom que vem em força entrando de supetão pelas pessoas dentro.
O rio é um poema serpenteante quando atravessa a cidade. E é também Paz, Tranquilidade, Trabalho e Lazer. No centro, envolve a ilha do Mouchão num abraço ritmado pelo chiar melodioso da Roda árabe.
As minhas histórias do (e no) Nabão são quase mais as da vontade de as ter tido do que outra coisa. Algumas houve a bordo – ou fora de borda – daqueles botezecos de remos e aluguer. Houve outras à borda. Mas as que mais se recordam são as estórias virtuais que uma vida sempre sempre ao lado do rio foi criando: um gosto desmesurado pelo Rio, um desejo muito grande de ser parte disto tudo, uma inveja enorme das aventuras no Rio de outros mais velhos que por aqui folgaram na sua juventude.
Chamem-se-lhe socalcos no rio e a imagem é bem conseguida. Antigamente o Nabão podia muito bem ser uma sucessão de espelhos de água que cada açude de estacaria represava. Desciam o rio, alimentando as terras e as indústrias; chegavam a Tomar e continuavam a alimentar terras e indústrias; e prosseguiam depois, voltando a alimentar terras e indústrias.
Com os açudes casavam as rodas de rega, autênticas pontes ligando as águas às terras. Conta “Nini” Ferreira que “a água encaminhava-se para os canais das rodas em forte corrente. Corria e batia nas penas das rodas. Empurrava-as. A frente das penas, atados nas cintas exteriores iam os alcatruzes que mergulhavam, enchiam, subiam, despejavam nos “tabuleiros” e lá seguia a água para o “calheiro real” e, daí, por canos ou aquedutos. E, assim, chegava a água a hortas e pomares.” Ao som de bucólicas chiadeiras e rangidos das madeiras.
As terras eram – e são – férteis à beira-rio. Nem podiam queixar-se da água com que as rodas as refrescavam. E assim era. Roda após roda. Chiadeira atrás de chiadeira.
Açude após açude. Rápido após rápido. Mouchão após mouchão, ilhas de verdes e frescuras entre o rio e o canal. Como o Mouchão do centro da cidade, este agora em versão de substantivo próprio. Atravessa-se o pontão e esquece-se a urbe. Entra-se numa autêntica catedral de recolhimento a que não faltam sequer imensas colunas a suportar românticos arcos góticos de plátanos, ao mesmo tempo tecto e vitral por onde a luz se entremeia com a folhagem.
Águas de Tomar não são só as do Rio. Também o Mar nos percorre as veias desde tempos imemoriais: desde os tempos em que os Papas eram Bispos de Tomar, desde os tempos em que a igreja de Santa Maria do Olival, não apenas panteão templário, foi matriz da grande diocese que foram as terras descobertas e cujo governo espiritual era responsabilidade dos Sucessores de Pedro. Ou ainda desde aqueles tempos em que Gama, o Almirante das Índias, aqui recebeu a dignidade de Cavaleiro de Cristo directamente das mãos do próprio Rei D. Manuel.
Há até quem diga que o Tesouro dos Templários ainda aqui está escondido; outros, que o que aqui esteve foi apenas um nono desse tesouro; um nono que um cavaleiro português ao serviço do Rei Dinis recebera de Jacques de Molay, em Paris, na véspera da prisão do Mestre dos Mestres; um nono do Tesouro Templário que mais não era do que os mapas marítimos que Henrique, o Navegador e Pai dos Descobrimentos, utilizou para reencontrar o Mundo.
Mas isso são sonhos! Apesar de ser um lindo sonho pensar que a parte do Tesouro que nos coube foi o Conhecimento, não é? Aliás, beleza é o que aqui não falta: quando as mãos do Povo acariciam as matérias rudes, o resultado é sempre uma preciosidade, seja para o paladar ou para os olhos, de tal modo que a Arte de florir as ruas prossegue dentro de casa, florindo os lares com as flores da Natureza.
As mesmas flores cujas pétalas celebram Santa Iria, em Outubro: da Ponte Velha, flutuando na água, pintam-se o Nabão e a Memória com pontinhos de cor.
Flores que se repetem na Festa dos Tabuleiros, a Alma dos tomarenses, com o cheiro das flores, do pão e das espigas de trigo nos tabuleiros que vão à cabeça das raparigas vestidas de branco. Uma festa em que todas as artes e devoções se unem num imenso louvor e em que os tomarenses se unem num único e imenso abraço.
É isto que se faz pela manhã: beber a magia desta cidade, uma magia que não se entende porque apenas se sente. Magia feita de Ruas, de Mouchão, de Castelo, de Festa.
De bocados de cidade que já não existem mas ainda se recordam. Afinal, tudo é mais de sentir do que de ver.

E à noite, quando as sombras sussurram mistérios, há sempre uma luz que nos indica caminhos.

domingo, 16 de outubro de 2016

CAMPOS DE FÉRIAS / A MINHA CASA É A TUA CASA

            Carlos Trincão

O tema é República, mas prefiro “Res publica”, isto é, o que é público, a coisa pública. Daí que…
Decorreu este Verão, sob a dinâmica e eficaz coordenação da Filipa Fernandes e dos responsáveis políticos da Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais e S. João Batista, através do programa JUNTANIMA, um conjunto de semanas de férias educativas e recreativas para jovens e crianças do nosso Concelho. De resto, o mesmo já se passara em anos anteriores, o que merece o meu aplauso e estímulo, se é que a minha palavra tem algum “poder” nesse campo (presunção e água-benta…).
Esta questão é-me particularmente grata pois que, trabalhando com crianças, reconheço a importância e a valia desta iniciativa.
Atrevo-me, portanto, a repescar um texto meu de há 10 anos, apresentado na Assembleia Municipal de Tomar, sobre matéria convergente, PRINCIPALMENTE, para dar mais lenha para a Filipa carregar. as ideias nunca estão a mais e podendo haver maneira de as aproveitar, caso interessem, e juntar vontades, todos ganhamos.
Aqui fica, portanto, o meu contributo sobre esta matéria:

Em 31 de Março do corrente [estávamos em 2006], no âmbito do debate sobre o Regulamento das Férias Desportivas, o Bloco de Esquerda produziu uma intervenção na qual sistematizou um conjunto de ideias susceptíveis de corporizarem o embrião de um processo de criação de Campos de Férias Residenciais em Tomar, intervenção essa que suscitou acenos de simpatia por parte de outros membros desta Assembleia.
Afirmámos, então, que voltaríamos a esta temática em altura que o permitisse fazer de modo mais formal, o que acontece agora.
Tendo consciência de que não compete a esta Assembleia intervir neste aspecto, é, todavia, também, nossa obrigação aconselhar ou sugerir ao Executivo as opções que considerarmos adequadas para o enriquecimento do nosso Concelho, pelo que se sistematiza, de novo, aquele conjunto de sugestões:

1 – Criação de Campos de Férias residenciais susceptíveis de acolher jovens de outros pontos do país e do estrangeiro, salvaguardando desde logo uma quota para residentes no Concelho.

2 – Definição das actividades por áreas de intervenção, temáticas ou generalistas (Desporto, Música, Artes Plásticas, Teatro, Acampamento,...) monitoradas por Associações e Clubes locais.

3 – Concretização destes campos com a intervenção de Mecenas e outros (Ministérios – ou Secretarias de Estado – da Educação, Cultura, Desporto e Juventude, Emprego e Segurança Social).

4 – Possibilidade de participação nestes campos de férias de jovens do Concelho oriundos de famílias de menores recursos financeiros em condições de apoio especiais.

5 – Criação de quotas em todos os programas para filhos de cidadãos tomarenses emigrados.

6 – Divulgação deste programa em cidades com afinidades histórico-culturais com Tomar (Viseu ou Santarém, por exemplo), laços de cooperação, como a Rede Europeia das Cidades dos Descobrimentos (Lamego, Castelo Branco, Coimbra, Porto, Lagos, Lisboa, entre outras) ou as Associações de Municípios da Ordem de Cister e com Centro Histórico.

7 – Promoção deste programa em cidades com que Tomar mantém geminações (Haddera, Vincennes), actividade anterior, como a Rede Europeia das Cidades dos Descobrimentos (com cidades em Espanha, Bélgica, Itália e Holanda), Pontedera e Pisa (Festival Sete Sóis Sete Luas), Galway (Irlanda, Rede das Cidades Médias Europeias) e com as cidades do Projecto Les Fêtes du Soleil (Siena em Itália, Beersheva em Israel, Le Kef na Tunísia, ilha de Gozo – Malta e Versailles).

8 – Criação, com os responsáveis políticos das cidades referidas, de condições para que
jovens tomarenses, ou filhos de tomarenses emigrados, possam aí ter acesso a programas similares.

9 – Lançamento do programa de férias “A minha família é a tua família, a tua família é a minha família”, criando uma rede recíproca de famílias acolhedoras de jovens de outros países.

10 – Criação de um projecto paralelo de promoção de Tomar junto das outras cidades a par do projecto de divulgação dos dois anteriores: Campos de Férias e Famílias Acolhedoras.

Assim, e fazendo a “ponte” entre uma proposta e uma recomendação, como por vezes é sugerido, proponho que esta Assembleia recomende ao Executivo a apreciação dos 10 pontos anteriormente sistematizados.

Tomar, 20 de Abril de 2006

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

PATRIMÓNIO DESPORTIVO

  António Pedro Costa

 O tema património é vasto mas positivo, porque permite escolher um caminho, ou um sentido do que queiramos dizer. Isto é, não faltam opções de “património” para realizar essa escolha. Sendo um desportista e ex-atleta de futebol federado, é acerca do nosso património desportivo que opino. Dois clubes desportivos pontificam na Cidade.
Foi num deles, talvez o mais representativo do concelho, que com tenra idade comecei nos seus escalões infantis. Orgulho-me de ter jogado futebol no União Futebol Comércio e Industria de Tomar. O União de Tomar para além de um clube emblemático, foi uma autêntica escola de vida. Foi lá que fiz amizades para a vida, onde tive muitas alegrias, algumas tristezas, onde também aprendi. Devo aquele clube um pouco daquilo sou hoje. E digo muito obrigado!
   Contudo, foi também com a experiência futebolística que conheci e comecei a vivenciar determinadas situações sociais e políticas. Infelizmente, não vivi os tempos áureos que o União trouxe a Tomar, quando mobilizava o Concelho. Infelizmente, ao longo do tempo fui constatando o declínio e até uma certa indiferença perante um clube que tanto deu à cidade.
 Ora, o assunto pode ser estudado a nível social e até político. Atualmente, os corpos sociais do União de Tomar, são garantidos por pessoas que lutam por uma causa, e que têm amor verdadeiro à camisola que vestem. Agradeço-lhes, como ex-atleta e como tomarense, o trabalho desinteressado que oferecem ao Clube e à Cidade. Sei que não é fácil gerir um clube, ainda por cima com as condições que existem hoje.
  O património desportivo que Tomar tem, deve-se em grande parte ao União de Tomar. E por vezes parece que é esquecido. As razões podem ser variadas, mas o património de honorabilidade e o valor da instituição União de Tomar devia ser mais considerada por Tomar pela classe política.
  Nas minhas ainda frescas memórias, recordo com grande carinho o respeito que os adversários demonstravam pelo União, por tudo aquilo que representou a nível distrital e nacional, e a ambição que tinham em nos vencer.

  O património do União de Tomar, não pode ser esquecido, nem, ser lembrado apenas em épocas festivas. Quando ao final das tardes vemos o “Estádio” Municipal cheio de crianças (e mais a norte, o campo da Nabância também com as camadas jovens), é reconhecimento, gratidão e orgulho que sentimos. O “União” tem um lugar de destaque no nosso coração, e é um baluarte do património desportivo de Tomar. O tratamento que lhe devemos é de dignidade e grande respeito. 

sábado, 24 de setembro de 2016

MATA DOS SETE MONTES: A FLORESTA DAS LENDAS

Carlos Trincão

Nestes dias em que decorrem as Jornadas Europeias do Património, entendi que poderia ser interessante repescar um artigo que publiquei no semanário Cidade de Tomar, em março deste ano. 
Trata-se de uma abordagem em torno do património vegetal que temos em Tomar. 
O que adianto não é de fácil concretização, tais os problemas a contornar. Nem sei mesmo se, ainda que contornando questões de ordem burocrática e outras que tenham a ver com a tutela do sítio para onde defendo a intervenção, seria possível enveredar por tal caminho. De qualquer modo, arriscando a polémica ou a megalomania com que possa ser vista a ideia que apresento, “pela rama”, aqui fica o meu contributo.

A Floresta das Lendas, a concretizar na Mata dos 7 Montes, seria um projecto de animação turístico-cultural em torno das lendas, mitos, fábulas, histórias tradicionais e contos populares, focando a sua actividade na representação e recriação desse Património Imaterial, contribuindo para a animação, recuperação e conservação do lugar, reforçarando a ligação ao Castelo/Convento e enquadrando o imaginário templário como algo a explorar.
Seria um projecto etariamente transversal, que buscaria formas para ultrapassar constrangimentos meteorológicos e incorporaria conceitos como parque temático, campo de férias, acampamento, centro de recursos e recurso educativo, parque de merendas, percursos de lazer e centro de interpretação da Natureza.
Aliar-se-ia a elementos de captação de visitantes, na cidade, como restauração, alojamento e outros, podendo vir a estimular as autoridades para a criação de outros equipamentos de acolhimento, como uma Pousada de Juventude.
Seria um projecto estimulador do crescimento do caudal de visitantes e de criação de emprego, podendo recorrer a empresas e/ou entidades com actividade convergente.
Como as árvores, seria um projecto em crescimento permanente.
A Floresta das Lendas teria percursos para descoberta de lendas, mitos, fábulas, histórias tradicionais e contos populares assentes nos caminhos existentes ou na criação de ligações adicionais, perenes ou efémeras, terrestres ou aéreas (passadiços), utilizando recursos naturais ou construídos pré-existentes, ou a construir de forma sustentável e livre de ruídos ambientais.
Por exemplo, o conto “A casinha de chocolate” implicaria a instalação de um módulo em madeira (cabana), adaptável a outra história ou lenda, sei lá… o “Capuchinho Vermelho”, em rotatividade a definir, pois que seriam aconselháveis esquemas de exploração renováveis, com rentabilização/adaptação dos recursos físicos naturais ou artificiais, conseguindo-se um “parque temático” sempre diferente, logo potenciador de visitas para os mesmos públicos em ocasiões diferentes. E multiplicar-se-iam as cabanas para diversas histórias durante a visita.
Os seres mitológicos (dragões, grifos, unicórnios, sereias, lobisomens, …) traduzir-se-iam em elementos escultóricos auto e inter-activos: em Cracóvia, um dragão deita fogo regularmente ou quando é enviada uma sms para determinado número; ora, pelo mesmo modo bateriam asas do Pégaso, o Minotauro rugiria ou um dragão fumegaria pelas narinas… Pequenas esculturas de duendes, gnomos, fadas e anões propiciariam pistas e informações.
Os desportos radicais convergiriam para a exploração das histórias: parede de escalada para subir à torre da princesa, rappel para fugir do gigante do castelo das nuvens (uma casa numa árvore), slide para um Ícaro a voar e os tanques da Mata seriam fundamentais para lendas com a água por referencial…
Como exploração educativa, a Floresta das Lendas teria um Centro de Interpretação – filmes, música, vestuário, iconografia, informação adaptada ao tipo de visita (individual, grupo, totalidade, ou parte, da oferta…), biblioteca / mediateca, galeria de autores, atividades plásticas, …
A Floresta das Lendas colaboraria com as escolas e com o Ministério da Educação.
A Floresta das Lendas teria recepção, bilheteira e loja, restaurante e café/bar. Não se trataria de cobrar entradas para a Mata, mas sim cobrar entradas para o usufruto das atividades que se escolhessem, em programas pré-definidos e organizados ou, mesmo, para usufruto autónomo tendo por guias aparelhagem adequada, aplicações digitais para telemóvel ou outras soluções.
Em poucas palavras, a ideia seria levar à Mata dos 7 Montes mais um elemento de atração de visitantes, potenciando-a e exponenciando-a com recursos de outra ordem já existentes, como o Centro de Interpretação Ambiental.


domingo, 11 de setembro de 2016

PATRIMÓNIOS...DE CÁ

António Lourenço dos Santos

Património é muito, mas também pode ser nada.
Património é legado e é herança. E é obra permanente de vida. Património é material, é imaterial, e é humano.
Temos de tudo em Tomar. Pouco estamos a aproveitar, muito a desperdiçar.
Porquê, vá-se lá saber.
Será por falta visão e falta de liderança? Há quem diga que sim. Eu também.
Visão para propor o Rumo e para preparar o Futuro, liderança para conduzir nessa direção. E para agir quando é necessário corrigir rotas ou mudar destinos.
Em qualquer circunstancia, em qualquer caso, o património humano é e será sempre o mais importante. Podemos deter as maiores riquezas e as maiores promessas. Mas se não houver quem imprima rumos, quem trace as bissetrizes, quem afirme por onde, quando e como, e quem as valorize e afirme, pouco ou nada será feito.
E pode vir isto a propósito da situação de uma componente decisiva do nosso património coletivo, que é o Instituto Politécnico.
Noticia de ontem, dá conta de mais uma época de resultados (muito) preocupantes no que toca a preenchimento de vagas disponíveis. Na primeira fase, menos de 1/3 de preenchimento (31%), que contrasta com a percentagem equivalente a nível nacional (85%). Mesmo que se sigam repescagens de “linhas atrasadas”, a situação pode receber algum conforto, mas está muito longe de ser brilhante...
Sugere-nos 2 comentários.
O primeiro tem a ver com a delapidação do Património material e imaterial que é o IPT para Tomar. Património porque é, ou pode ser, alfobre de formação de gerações e de fixação de vocações, como já foi o prestigiado CNA; porque poderia ser Centro de investigação e de produção de conhecimentos que valorizasse outros patrimónios que nos pertencem. Património, pelo que representa de polo dinamizador para a economia da Cidade. Delapidação, porque está consecutivamente a perder posições, a perder cursos e oportunidades, porque parece estar a perder conhecimento e vitalidade.
O segundo tem a ver com o desgaste do Património humano que está a acontecer. Ano após ano, desde há alguns anos, baixa ou estagna o numero de candidatos e continua a existir oferta de cursos que ficam vazios. Abandonam Professores e sai conhecimento. Parece, parece repito, que algo devia ser feito para alterar este estado de coisas, que ilustra também o caso de um rumo que carece de ajustamento. A continuar assim, onde vai parar o Instituto?


sexta-feira, 29 de julho de 2016

A PENA DE MORTE

  Carlos Carvalheiro

Eu sei que este blog é para opinar sobre de coisas de Tomar, tendo cada um dos bloguistas aceitado escrever uma vez por mês sobre um tema comum, mas, como o tema de julho é o “crime”, puxa-me mais para escrever a pensar na Europa do que no que se passa debaixo das arcadas da Câmara fora das horas de expediente.

E isto a propósito das recentes declarações do presidente da Turquia, que quer reimplantar a pena de morte no seu país. Ouvi-o na televisão a justificar: “Os Estados Unidos não têm pena de morte? Tal como a Rússia? Tal como a China? Porque não poderá a Turquia tê-la também?”

A argumentação não podia ser mais linear. 

E, no entanto, uma das coisas que distingue os Valores da Europa dos de outros países civilizados (países que põem o primado na Lei e que diferenciam Estado e Igreja) é que, primeiro, foram instaurados, enquanto Valores, o tríptico de Liberdade - Igualdade - Fraternidade, resultantes da Revolução Francesa (séc. XVIII); depois foi abolida a pena de morte (séc. XIX), abolição essa de que Portugal se pode orgulhar de ter sido um dos pioneiros; e, finalmente, foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos do Homem (séc. XX), que começa, como a maior parte das pessoas sabe, com a célebre «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos» e que continua com a menos conhecida mas não menos importante «Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para os outros com espírito de fraternidade», declaração essa que, entre outras coisas, ilegaliza o delito de opinião. 

Ora, tendo o presidente da Turquia, na sequência de um putativo golpe de Estado, no mesmo dia e à mesma hora, mandado prender nove mil presumíveis opositores (faz lembrar a prisão de todos os templários de França, na sexta feira 13 de outubro de 1307, ordenada, meses antes, pelo rei Filipe, o Belo), entre juízes, médicos, militares, jornalistas, professores e etc., pelo “delito” de serem opositores, ou seja, por delito de opinião, quer, agora, reimplantar a pena de morte na Turquia, com a intenção clara de exterminar a oposição ao regime sem ser acusado de crime contra a Humanidade.

Talvez se safe deste crime, mas cometeu os dois primeiros: prende por delito de opinião e quer reimplantar a pena de morte. Assim tornará impossível a integração da Turquia na Europa comunitária. 

Ainda bem.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

MAS QUE RAIO DE TEMA ESCOLHERAM PARA ESTE MÊS - "FRENESIM"

Rui Ferreira

Assim, de repente, este termo de origem grega suscita-me a imagem de um crocodilo, dentro de água, às voltas com uma presa dilacerada na boca ou então milhares de formigas sobre um cadáver... É algo assim, irracional, primitivo, visceral, cru, enfim... animal.
Não deve, por isso, ser estranho que utilizemos este substantivo para aludir a estados anómalos, tanto dos indivíduos como da sociedade. De facto, uma das suas conotações mais comuns é a impaciência. Essa condição afecta-nos, a todos, de um modo atroz. A gestão das expectativas de cada individuo depende de milhares de factores, tanto endógenos como exógenos. Um deles, e talvez o mais importante, é o do prazer ou da auto-satisfação.
O prazer, a satisfação e mesmo a felicidade (consagrada, como direito alienável, na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América) são hoje considerados objectivos legítimos e transversais na sociedade. O sucesso, o poder e o bem estar são chavões publicitários e modelos de vida aos quais, aparentemente, não existe alternativa. Talvez por isso o dever, o serviço e a solidariedade andem pelas "ruas da amargura". As pessoas não pensam, ... reagem. Não procuram, ... é-lhes facultado. Não opinam, ... escolhem de uma lista pré-preparada. Gritam, ... não comunicam. Competem, ... não jogam.
Em 1977, na sua obra "O macroscópio: para uma visão global", o biólogo molecular Joel de Rosnay, escrevia o seguinte:
"Numa região do hipotálamo existem feixes de fibras nervosas que parecem desempenhar um papel essencial no sistema de recompensa do organismo. Se se estimular por meio de descargas eléctricas numa cobaia um destes feixes, o animal desata a comer com voracidade. Em presença de animais do sexo oposto copulará com frenesim. Se lhe deixarmos a possibilidade de ele próprio estimular este centro de prazer, ele próprio entregar-se-á, até à exaustão, a esta actividade narcisista levando a frequência dos estímulos até 8.000 por dia!"
Este cientista e futurista especulava sobre o facto de um ser vivo poder, directamente, estimular aquela região do cérebro (o hipotálamo), considerada a "parte primitiva do nosso sistema nervoso".
Creio que a sociedade humana desenvolveu essa faculdade. A humanidade, cujo desígnio segundo muitos, seriam as estrelas, encontra-se ocupada a tentar estimular o seu "cérebro primitivo", num frenesim de irracionalidade ao qual, nem o vislumbre da morte, parece pôr termo.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

FRENESIM?

Carlos Carvalheiro

Tomar está um frenesim. E não falo do aumento de turistas, das esplanadas que se vão enchendo pela cidade, dos eventos que vão desfilando tanto na cidade como nas aldeias. Falo do investimento em Tomar de grandes superfícies, como o Pingo Doce ou o Lidl, isso sim, um indicador objetivo.

Quando vou a Inglaterra, se posso, vou a Stratford-upon-Avon, que é a terra natal de Shakespeare. É uma cidadezinha que continua a atrair, diariamente, uma chusma de gente, entre turistas e estudantes, que se passeia entre a casa onde dizem que o Shakespeare nasceu e o teatro (Royal Shakespeare Company) e as lojas de produtos shakespeareanos e as livrarias com livros de e sobre Shakespeare e os pubs com imagens de Shakespeare ou de peças dele e outras invenções turísticas do género.

Aparentemente aquela terra vive da atração que o Shakespeare exerce sobre as pessoas e eu sou só mais um exemplo da sua eficácia.

E o que é espantoso é que o homem só escreveu 39 peças de teatro e há 400 anos (6 das quais feitas pelo Fatias de Cá: Hamlet, A Fera Amansada, Sonho de uma Noite de Verão, A Tempestade, Richard III e Lear).

Mas, dizia eu, o homem, tenha ou não sido ele a escrever as 39 peças de teatro, continua a gerar um interesse generalizado e a vender todos os dias.

Ora, comparar Stratford com Shakespeare e Tomar com os Templários é um exercício óbvio. O que falta em Tomar para conseguir, como Stratford, atrair tanta gente?

Fora de brincadeiras: se vivêssemos não sei onde e soubéssemos que existe uma cidade chamada Tomar, no coração de Portugal, com boas acessibilidades, que se assume como cidade templária, e estivéssemos dispostos a vir do fim do mundo para a visitar, o que é que gostaríamos de vir aqui encontrar para levarmos de volta uma memória dos Templários e da sucedânea Ordem de Cristo, a executora do desígnio templário de “se mais mundo houvera lá chegara”?

É a resposta a esta pergunta que vale milhões de euros.

ps: quem não sofre de frenesim são os serviços camarários responsáveis pelos “mupis” iluminados: pelo menos dois deles, um em frente ao antigo Liceu e outro junto aos correios, continuam a divulgar a comemoração dos 725 anos da Universidade de Coimbra que terminou em dezembro passado…

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O DIA NACIONAL DAS ROTUNDAS

     Mário Cobra

       Tanto quanto sabemos, infelizmente não se comemora o dia das rotundas. Em nossa básica opinião, há falta de melhores argumentos, as rotundas foram a mais eficaz descoberta no que à fluidez do trânsito diz respeito. Damos o exemplo da ponte do Flecheiro, para onde, se a nossa memória não se encontra engarrafada, estava inicialmente prevista uma rotunda. Por causa de não sei quê, não sei quantos, falta de espaço, foi colocado aquele semáforo que deve ser qualificado como dos mais chatos do mundo, mormente para quem esteja aflito por aceleração do trânsito intestinal e ali fica tempos infindos à espera do verde, verdinho, meu verdinho. No caso dos casais novos, o tempo de espera deve permitir fazer um filho, ou dois. Valia a pena lá instalar uma rotunda mesmo que a placa central fosse um simples barril, slogan “Se Tomar vem visitar, o nosso vinho deve saborear”
        Mesmo sendo qualificadas de mal menor, as lombas deviam ser hostilizadas enquanto inimigas públicas dos condutores. Em especial as super-lombas, tipo frente ao Politécnico. Com a entrada dos pontos na carta, as lombas gigantes deviam ser substituídas por lombinhos.
Carlos Carvalheiro, colaborador deste blogue, terá razão, não faz sentido o trânsito na zona histórica, quase certo salvaguardando o acesso dos moradores, a quem não dará jeito carregar com as compras por não lhes ser permitido parar junto às suas residências.
António Alexandre, colaborador deste blogue, terá razão, o parque de estacionamento construído nas traseiras dos Paços do Concelho, deduz-se que essencialmente ao serviço dos casamentos e baptizados na Igreja de S. João Baptista, teria sido preferível construí-lo na Várzea Grande. Já agora, uma ideia certamente parva, não seria possível construir parques de estacionamento elevados, de primeiro andar, em vez de subterrâneos? Vantagem dos carros não inundarem, não lhes faltar o ar e provavelmente a obra ficar mais barata. Seriam inestéticos os parques elevados? São estéticos, por exemplo, os edifícios de seis andares?
Outro palpite aparvalhado. Uma autarquia decidida e com dinheiro não poderia adquirir a grande moradia à venda junto aos Correios e daí, demolindo o imóvel, fazer um parque de estacionamento para autocarros?
De resto, quando vamos a uma cidade que não conhecemos em pormenor onde vamos estacionar? Decerto na maioria das cidades, como em Tomar, estacionar é um pincel, uma confusão, um apanhar bonés.
Somos um país onde não há planificação capaz de arrumar tantos carros.
Somos um país onde não há educação automobilística. Se houvesse, não seriam necessárias as lombas.
Somos um país desorganizado em tudo, por que seria o trânsito diferente do resto?

   

terça-feira, 31 de maio de 2016

TOMAR O TRÂNSITO E O DEIXAR ANDAR

    António Alexandre

 Tomar cidade bonita, agradável, monumental, com um centro histórico resistente e ainda significativo, é  adorada pelos visitantes e mal defendida, por muitos dos seus naturais.
  Quanto a estas coisas, também tudo poderia ser diferente e sobretudo melhor.
  Na preservação do centro histórico, na implementação de planos de recuperação dos edifícios, na melhor ocupação e uso dos edifícios, em matéria de segurança, matéria completamente descurada e sobretudo no trânsito e estacionamento.
A culpa neste casos não morre solteira, pois muita gente contribuiu ao longo dos anos para isso e muitos nem contribuíram, nem deixaram de contribuir, nada fizeram.
Para tal duas coisas teriam de ter acontecido, primeiro quererem fazer alguma coisa, segundo ir ver outras experiências bem sucedidas e aplicá-las cá, mas isso não aconteceu e agora dificilmente acontecerá, pelos mesmos motivos anteriores e porque o tempo do dinheiro acabou.
Em matéria de trânsito de certo modo julgo, que as coisas tendem a melhorar, pois a espectativa de um grande crescimento populacional regrediu e assim as necessidades diminuíram, com algumas ajudas externas, mas também internas.
Hoje do que mais se sente falta é do estacionamento e já pouco de vias circulares, sendo ainda notórios constrangimentos, no que toca a entradas e saídas da cidade rápidas de ligação às autoestradas.
São o caso da ligação ao nó de Valdonas, a estrada de São Lourenço/Carvalhos de Figueiredo, a continuação da via de cintura desde o nó junto ao hospital a Marmelais e depois a Carvalhos de Figueiredo, que esteve em Plano, mas entretanto esquecida e o estacionamento arranjo e ordenamento da Várzea Grande, que teima em não andar.
Claro que o estacionamento, nomeadamente no Centro Histórico, retira qualidade á cidade, coisa que andou para o lado, quando em vez de ser ter optado por construir um parque subterrâneo na Várzea Grande, se optou pela construção nas traseiras da câmara, com muito mais desvantagens do que vantagens.
Outra discussão ou opção é a implementação de zonas de estacionamento pago, em várias zonas da cidade, com muitas vantagens, mas também com alguns do contra.
Como sempre acontece é mais fácil se ser menos criticado por não fazer, do que por fazer, o que leva a adiar as coisas polémicas, mas que podem fazer a diferença e acrescentar valor a Tomar.
Por mim que já provei do cálice, aceito as duas vias, pois compreendo que nem sempre o que julgamos ser o melhor para  as pessoas, o é na verdade, ou pelo menos assim é por elas entendido.


domingo, 29 de maio de 2016

QUESTIONÁRIO: QUE TIPO DE CONDUTOR(A) TOMARENSE É VOCÊ?

   Rui Ferreira

Q- Habita e trabalha em Tomar. Pela manhã desloca-se de casa para o trabalho:

1 - A pé. Acorda mais cedo, faz exercício, leva os miúdos à escola e faz as compras com calma ou numa ocasião posterior.
2 - De carro. Indo a pé não teria tempo de beber um café e falar com os amigos. Além disso tem os filhos para deixar na escola, compras para fazer à hora de almoço ou logo após o trabalho.

Q- Quando circula de automóvel na cidade e precisa de ir, por exemplo, ao banco, ao café ou à padaria estaciona:

1- Num local de estacionamento apropriado onde não atrapalha o trânsito automóvel nem a segurança dos peões.
2- Na rua, em segunda fila, com o veículo fechado à chave, sem sequer ligar os quatro piscas. Não tem problemas em estacionar junto às passadeiras, pois enquanto sai do seu carro e abre a porta, como se fosse uma estrela de Hollywood, os outros condutores abrandam sempre.

Q- Quando usa uma zona de parquímetros, estaciona num lugar vago e seguidamente:

1- Desloca-se ao parquímetro e paga o suficiente para o tempo que calcula necessário. Volta ao carro, deixa o talão comprovativo e vai à sua vida.
2- Não mete moeda no parquímetro. É só um bocadinho. Ninguém vai notar. No tablier do carro está um talão da semana passada que passa bem por válido.
3- Evita os lugares disponíveis, fica na berma ou atrás dos veículos estacionados no parque taxado e liga os quatro piscas. O seu estacionamento é uma emergência que, naturalmente se sobrepõe à vida de todos os otários que usam parquímetros.

Q- É cliente de um estabelecimento da Av. Cândido Madureira. Quando ali vai às compras, estaciona:

1- Num local de estacionamento apropriado onde não atrapalha o trânsito nem a circulação dos peões, normalmente na Várzea Grande ou numa artéria adjacente.
2- Num dos locais de estacionamento reservados à PSP, a deficientes ou a cargas e descargas. São lugares mágicos e toda a gente sabe que Tomar é uma cidade mística.
3- Em segunda fila, apesar de, na faixa de trânsito contrária, já se encontrar outro veículo estacionado em segunda fila. Você sabe que nesta rua a polícia não atua assiduamente e ainda se lembra de que antigamente esta rua era tão larga que até tinha um passeio ao meio.


Q- Na Alameda Um de Março, perde a oportunidade de estacionar num lugar vago, ocupado nesse mesmo momento pelo veículo de alguém que entra de seguida numa loja. O que faz:

1- Procura outro lugar de estacionamento vago, nem que esteja bastante longe.
2- Buzina violentamente, pois considera que aquele lugar era seu.
3- Estaciona na faixa de rodagem, “trancando” o veículo que estacionou há poucos segundos, pois tem a certeza absoluta que aquele condutor irá demorar mais tempo que você.


Q- Quando vai, de carro, levar ou buscar os seus filhos à escola, estaciona:

1- Num local disponível, mesmo afastado do edifício da escola. É bom andar a pé e o caminho de regresso ao carro constitui sempre uma oportunidade de encontrar e falar com outros pais ou colegas dos seus filhos.
2- A menos de 20 metros da porta da escola, em cima de um passeio, num lugar reservado a deficientes, em segunda ou terceira fila, etc. A segurança dos seus filhos é fundamental e nada irá opor-se à tranquilidade de receber as suas crianças sob um coro de buzinadelas.


RESULTADOS (soma dos números das suas respostas)


6 a 8 - Parabéns!
A sua atuação é considerada civilizada e socialmente relevante. A sua saúde agradece e os seus filhos gostam de caminhar consigo por Tomar.


9 a 11 - Tenha paciência!
Você é uma vítima da anedótica gestão rodoviária de Tomar. Que começa em coisas tão simples como os horários de operação das máquinas dos serviços urbanos nas ruas da cidade, passando pelo incompreensível tardar do programa de parquímetros, pelo anedótico estado geral dos pisos rodoviários até à constatável desistência, por parte da polícia, em punir imediata e assiduamente os condutores sem consciência cívica.


12 a 15 - Lamento!
Você vive na ilusão de que Tomar é uma aldeia do faroeste. O que você deseja é, exatamente, atar os arreios da besta do seu carro à porta de um saloon, para nele entrar aos tiros.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

CENTRO HISTÓRICO DE TOMAR SEM TRÂNSITO? SIM OU NÃO?

  Carlos Carvalheiro

Para ir direito ao assunto, o que eu acho é que não devia ser permitido o trânsito de carros no Centro Histórico de Tomar, a exemplo do que acontece na Corredoura.

Tenho consciência que este assunto não é consensual, ainda hoje muita gente acha que foi uma má opção fechar a Corredoura ao trânsito, mas compare-se a rua Infantaria 15 com a rua Silva Magalhães, vai uma para a esquerda e vai outra para a direita no topo da Corredoura (porque raio lhe chamaram Serpa Pinto é que eu gostava de saber…).

Ambas tinham trânsito, até que a rua Silva Magalhães levou empedrado novo, ao tempo da Câmara Paiva, que foi também, por sinal, quem fechou a Corredoura ao trânsito. As esplanadas florescendo, as casas comerciais abrindo e a rua ganhou gente que passa devagar, como que a passear. A rua Infantaria 15 continua com o trânsito a passar, os minusculos passeios obrigam os carros a fazerem gincanas quando se cruzam com os peões e a fazer manobras dificeis quando entram pelas ruas perpendiculares, há várias casas comerciais, e das grandes, fechadas e as pessoas passam com pressa de sair da rua.

Bom mas opiniões são opiniões e cada qual tem direito à sua e aquilo que me levou a falar sobre o assunto foi a lembrança de uma iniciativa com uma certa piada que foi promovida quando eu fui presidente da Nabantina: o “Tribunal da Nabantina”. O conceito era simples: identificava-se um assunto polémico, arranjavam-se “advogados” que defendessem cada um dos pontos de vista, convidavam-se pessoas para fazerem de “júri” e dava-se o papel de “juiz” a uma figura de “peso”.

Na primeira (e única) vez que o “Tribunal” nabantino se reuniu, pelo início dos anos 90, o “juiz” foi Manuel Machado, advogado muito conhecido em Tomar a que se juntava o seu gosto pelo teatro (que não foi dispiciendo numa iniciativa do género) e o assunto em discussão era “Fechar a Corredoura ao trânsito: Sim ou Não?”

O resultado foi um empate. Coisa que veio a ser levada a peito pela Câmara da altura: empatou o fecho da Corredoura até ao fim do mandato.

Mas uma dúvida persistiu no meu espírito: se o Sim ganhasse, teria a iniciativa civil conseguido apressar o fecho da Corredoura?

E se se organizasse outro “Tribunal Nabantino” para deliberar sobre “Fechar o Centro Histórico de Tomar ao trânsito: Sim ou Não?”

sexta-feira, 20 de maio de 2016

EM TRÂNSITO

 António Pedro Costa

Se estivesse dentro de um carro, em hora de ponta, parado no trânsito, e ouvindo as notícias do trânsito em Tomar, seria mais ou menos assim:
“-Trânsito com fila lenta desde a entrada sul da A13 até à saída da Zona Industrial de Tomar. O motivo para esta demora, prende-se com o engarrafamento de camiões pesados, e as obras das empresas que aderiram ao “Tomar 2020” instalado pelo executivo socialista.
 Já na estrada nacional 110, na entrada sul de Tomar, o trânsito está congestionado visto que o lixo junto às margens do Nabão, com o vento foi todo para a estrada, e os gansos, as cegonhas  e os patos das redondezas aproveitaram para remexer no lixo procurando algum alimento. Recomendamos cautela à passagem no local.
   Já dentro da cidade, ter cuidado com o  veiculo  cisterna cheio de herbicida que avariou logo no primeiro canteiro de ervas que apanhou. O motivo prende-se com o matagal intenso e difícil de controlar. Informações recolhidas no local, já denunciaram a presença do ex-chefe de gabinete da Presidente de Câmara com um colete bem visível a controlar a ocorrência, fazendo a gestão de controlo do pessoal em simultâneo com o apito na boca a controlar trânsito. . Pede-se cautela a quem não simpatiza com o partido do prestimoso autarca , sob pena de ser identificado, e ordenar que encoste à berma para passarem os camaradas.
  Na zona do Convento de Cristo, o trânsito está lento, com fila grauda e a demorar uma eternidade para chegar até à cidade. O congestionamento resulta  da falta de solução para os visitantes do Convento de Cristo visitarem também a cidade. Fontes próximas do processo  afirmaram-nos que a senhora Presidente de Câmara, está a promover uma saída em rappel desde a Cerrada dos Cães até ao sino da igreja de São João. De forma a que quem descesse desse um safanão  em cada sino. Esta solução custa um euro a cada turista, com desconto para quem quiser ser  camarada.
 Para  amanha está prevista uma manifestação pelas ruas da cidade, para dar  graças aos investimentos e à estratégia que o executivo camarário tem promovido junto dos investidores  e da população em geral. O início está previsto junto à estátua Gualdim Pais, terá algumas paragens técnicas, em especial para a zona do flecheiro, e zona industrial.
  Para mais informações, ou informações oportunas , visite o site do município, ou mais direto, acompanhe pelas redes sociais o  ex-chefe de gabinete da Senhora Presidente de Câmara no Facebook. Caso tenha sido bloqueado, foi apenas uma falha do sistema, e apresentamos as nossas desculpas”
  E seria mais ou menos assim. É preciso ter cuidado ao circular na estrada por este concelho.  

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O TRANSITO - REDACÇÃO DE OUTRO TEMPO (Despachos n. 17 a 22/2016 da senhora Câmara de Tomar)


António Lourenço dos Santos

Há diversas formas e modalidades de transito.
Do lado dos sentidos do transito, há o horizontal e o vertical, e o ascendente e o descendente. Há também o sentido obrigatório e o sentido único, para lá do trânsito nos 2 sentidos. E há também o sentido proibido, que vigora quando não é permitido transitar.
Do lado dos veículos, há o transito de carroças, o de comboios, o de aviões, o de automóveis, o de camionetas e o de barcos. Nestes há o transito fluvial e o transito marítimo. O primeiro destina-se normalmente a transportar passageiros, e no segundo o que se transporta mais é carga. Também há o transito de bicicletas, mas tem menos importância que os outros. Nuns paga-se bilhete, noutros não, sejam privados, sejam públicos.
De um outro lado, está a ganhar vigor o trânsito de pessoas, na câmara municipal.
Este transito de pessoas conhece-se com antecedência porque precisa de autorização, que é um despacho assinado pelo presidente da câmara. Tem aspectos particulares que o caracterizam e o fazem diferente dos outros. A principal, é que a este transito, humano digamos assim, dificilmente se lhe percebem os fundamentos nem se lhe vê a racionalidade, quer dizer, faltam-lhe os critérios, públicos e transparentes. Pelo menos, é com critérios assim que convém pautar as decisões de uma camara, que é coisa publica e de todos nós. Pensamos nós… 
No inicio dos mandatos e quando muda o partido vencedor, algumas pessoas são logo convocadas para transitar, em sentido único e descendente, e são estacionadas numa prateleira. Para, entretanto, reparar o motor e melhorar as “performances” do conjunto, dizem habitualmente as senhoras câmaras. Também há aquelas que dizem que as prateleiras servem para os seus ocupantes realizar tarefas especiais, embora seja muito difícil de perceber a utilidade dessas tarefas, e quais são…é o caso da Camara de Tomar.
Numa segunda fase, é inaugurado o transito de sentido único ascendente. Este é que é importante. Para incorporar este transito, as pessoas mudam de via e de categoria, sempre no sentido vertical e ascendente. Mas continuam com o mesmo motor, a mesma velocidade, e o mesmo percurso, embora mudem de categoria e de proveitos. Mais tarde, as portagens na nova via serão pagas, eventualmente em espécie, no final do percurso, coincidente mais ou menos com a chegada a uma meta com um cartaz a anunciar eleições...
Finalmente, a Cidade continua em ponto morto, porque a senhora câmara nem sequer sabe como fazer arrancar e funcionar o motor. Para a desgraça de amanhã, e do futuro de todos. 

  

sábado, 7 de maio de 2016

BONS SERVIÇOS À COISA PARTIDÁRIA

 Mário Cobra

Era um vez um jovem líder tomarense a quem os deuses dos lugares nas listas às eleições legislativas concederam malas-artes de tomar posse como deputado da majestática assembleia nacional. Segundo a fada constituição, os proprietários nacionais dos partidos são obrigados veja-se lá bem a gramarem listas distritais, embora colocando como cabeça de cartaz um crânio nacional não vá o pessoal da província armar-se em carapau de corrida, cometendo o pecado capital de pensarem pela própria cabeça concelhia. Pecado capital porque cometido na capital, em Lisboa.
Naturalmente a selecção destes dóceis servos distritais cinge-se à regra básica de serem fiéis à entidade patronal partidária ate à medula. Nem que a consciência tussa é assim e não bufa. Ora ocorreu que, reproduzido no “Tomar na rede”, segundo o “Expresso”, de 23 de Abril, na secção “Gente”, o deputado tomarense Hugo Costa (PS), suplente na comissão de inquérito ao Banif, como “o ponta de lança do partido na última audição a Ana Salcedas, a responsável da Ernst & Young pelas auditorias ao Banif entre 2008 e 2013”. Escreve o jornal que Hugo Costa “ia debitando perguntas que curiosamente Salcedas dizia não compreender”. “Talvez novato naquelas andanças de comissão de inquérito, não conseguia desenvolver o raciocínio e passava à pergunta seguinte”. Outra hipótese para o jornal é que Hugo Costa “não tinha estudado a lição e estava simplesmente a repetir o que alguém lhe escrevera no papel?”.
Ora, lamentavelmente, tanto quanto nos apercebemos, nem as forças vivas tomarenses nem as menos vivas saltaram em defesa do dedicado deputado, enaltecendo as suas inquestionáveis capacidades de obediência, de absoluta fidelidade ao cumprimento do que a direcção da bancada lhe ordenou. Presume-se quanto a nomeação do jovem deputado tomarense para estas audições às auditorias ao Banif se relacionou com o presunção deste líder ter exposto no seu currículo grande conhecimento sobre os bancos do Mouchão.
Acontece semelhante quando a direcção do partido exige aos dignos deputados distritais votos a favor em matérias tão específicas com as leis sobre o efeito das picaretas em brasa na evolução do regionalismo, a influência dos molhos de palha na dívida pública aos molhos, ou a penalização como crime público a todo o piropo proveniente de funcionários das empresas públicas.
Como recompensa desta firme fidelidade partidária, destacada a nível nacional, somos da opinião que o novato deputado tomarense justifica um galardão no próximo aniversário da cidade. Quiçá a medalha de mérito dos bons serviços à coisa partidária.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

CONGRESSO DA SOPA OU MIXÓRDIA DA CONFUSÃO?

  Mário Cobra

   Podem existir sadismos encobertos capazes de deduzir vanglórias num amontoado de comensais a correrem para uns caldeirões de sopa e ali ficarem repimpados até saciarem a desmedida gula. Os que vieram atrás se lixem, empurrem, comam relva. Os mais resolutos, beiços lambuzados de bagunça, não largam os entulhos enquanto não rejubilam “Já comi 18 sopas” “Já comi 46”, “Já comi 224”, “Já engoli um caldeirão”, “Gostei mais foi da sopa de corno”. Talvez fosse mais prático ordenar a fila como dever ser (congresso da sopa sem filas é como o Mouchão sem flores) exemplo de um separador em corda obrigando a um pequeno corredor, ao correr das coxas, onde os comensais tenham de aceder aos caldeiros de forma ordeira, sem a confusão do ajuntamento. Complicado?   
    Nos anos já mais passados deste frenesim do congresso, os participantes faziam fila desde a ponte. Os primeiros permaneciam ali desde as 10h00, desespero de serem a vanguarda, torrando a mona ao sol, de pé, soberbo exemplo de tortura por simples mixórdia de couve com feijão para ajudar a festa. Ao meio-dia em ponto, o árbitro apitava para o início da disputa, abriam a cancela e os sôfregos disparavam accionados por molas impulsivas do deixa-me encher a mula antes o mundo acabe. Às sugestões de que seria mais urbano a malta ir entrando para o Mouchão logo que chegasse, evitando assim as filas, as respostas dos responsáveis traduziam-se naquela imposição de serem eles a decidir, eventualmente ufanos por assistirem ao espectáculo das filas. Agora não será tanto assim porque o masoquismo também cansa e o pessoal foi desistindo.  
   Entretanto, sempre anunciado que os lucros do congresso revertiam para o CIRE, entregue o cheque com pompa e circunstância em reunião do executivo, veio a saber-se - afinal o certame dava prejuízo. Milhares de pessoas pagavam bilhete caro e mesmo assim o festim dava prejuízo. Nada relevante caso se atenda a que uma das festas de tabuleiros com meio milhão de visitantes deu fortunas de prejuízo. Lucro nem sequer se admite que dê. Será melhor não se falar disso para não se estragar a folia que tanto orgulha o deprimido burgo.   
   Já agora, se a autarquia não necessita de lucros nos eventos de massas, não entende como, por exemplo, não dispõe de meia dúzia de euros para reparar o parque infantil, certamente útil a quantos nos visitam no congresso da sopa a fim de entreterem os filhos enquanto aguardam a abertura do conflituoso regabofe. No dia 25 de Abril, por exemplo, ouviam-se remoques de grupos de visitantes confrontados com o parque infantil encerrado “ É isto uma cidade turística?”, “Quem viu esta cidade e quem a vê agora”.
    A essa hora, decorria a sessão solene da Assembleia Municipal alusiva ao 25 de Abril certamente com as forças do executivo a apregoar loas de “Viva o 25 de Abril”, “Viva Tomar”. Faltou dizer “Viva o parque infantil encerrado”. A verba despendida nas subvenções aos autarcas pela participação na cerimónia daria para reparar o parque.
            Que o consommé lhes faça bom proveito.


quarta-feira, 27 de abril de 2016

A ÁGUA E TOMAR

  
 António Alexandre 

 A água ganhou no mundo uma enorme importância e em Tomar o Rio Nabão, teve e tem uma influência decisiva para fixação das pessoas e crescimento da própria cidade.
Todas as indústrias que aqui se instalaram ao longo do rio, a central elétrica da levada que permitiu a Tomar ser uma das primeiras cidades com iluminação elétrica, bem como a Barragem do Castelo de Bode, primeiro para a produção de eletricidade e mais recentemente para levar água a uma vasta região que vai de Tomar à grande Lisboa, que antes não a tinha em qualidade e quantidade.
Tomar beneficiou desde sempre de ter água para se desenvolver e crescer, seja ela dos seus rios Nabão ou Zêzere, mas também das suas várias nascentes com destaque para o Agroal e a Mendacha (Sabacheira).
Coisa diferente foi a gestão da água no final do século XX e inicio do XXI.
Quando muitos concelhos resolveram as suas questões de abastecimento  de água e saneamento do seu território, em Tomar a par de um certo falhanço da gestão municipal, quanto ao saneamento, dificilmente poderia ser pior. Mesmo mais investimentos avultados das Águas do Centro em água e saneamento, poderiam ter sido realizados, mas pela inércia autárquica não o foram.
Verdade se diga que a culpa terá de ser dividida em parte pelos governos do país, pois a somar a uma incapacidade e ausência de vontade própria do município, se juntaram todos os vários governos de Portugal, que nos últimos 15 anos construíram um modelo que impediu alguns como Tomar, de se candidatar a verbas da comunidade para esta área, que nos levou a uma situação desastrosa, pois temos pouca cobertura de saneamento, de que zonas perto da cidade como Carvalhos de Figueiredo ou Palhavã são uma amostra real do falhanço de vários mandatos do município.
Existem no entanto bons exemplos de outras formas de gerir estes sectores e as Águas do Ribatejo aqui tão perto, são um desses exemplos.
A água de abastecimento e saneamento, deve ter uma gestão empresarial e autónoma da politiquice, bem como da gestão diária de autarcas sem vontade de fazer e interesse em saber fazer. Os SMAS devem ter uma gestão interessada e ativa, o atual modelo não nos leva a bom caminho e muito menos a sua integração total na gestão do município.
Esta questão tem de ser vista pela qualidade/preço, mas pela cobertura territorial. E não como forma de financiamento do município para outras áreas.
É no entanto necessário lembrar que em 1990 na cidade de Tomar se fechava a água ás 22,00 h e se ligava ás 6,00 h pois não existia em quantidade, tal como na maioria das freguesias nem abastecimento tinham. E quanto a tratamento de esgotos era quase zero em todo o concelho, incluindo a cidade.
Mas isso não justifica o que não se fez, ou o que mais se poderia ter feito, pela tal qualidade/preço.
Tal como em muitas outras coisas, Tomar não fez o que devia para as aproveitar, outro exemplo é o aproveitamento turístico e lúdico da água no nosso concelho, ficou pelo faz de conta que somos, mas não somos na verdade, bons gestores de todo o nosso potencial.