APRESENTAÇÃO

“A TERRA DE QUE A GENTE GOSTA” é expressão que nos agrada. É sentida e é profunda, e é adotada como a ideia força de “TomarOpinião”.

Pretendemos oferecer críticas construtivas e diversificadas sobre os valores, as coisas e as atualidades da nossa terra, e não só. Pretendemos criar um elemento despertador de consciências e de iniciativas de cidadania, e constituir uma referência na abordagem descomprometida desses valores, dessas coisas e dessas atualidades.

Queremos, portanto, estimular o debate, de temas e de ideias, porque acreditamos que dele podem resultar dinâmicas de cidadania, que alicercem mudanças que por certo todos aspiramos.

“TomarOpinião” será um blogue de artigos de opinião e um espaço de expressão livre e responsável, diversificada e ampla.

tomaropiniao@gmail.com


sábado, 10 de setembro de 2016

FATIAS DE TOMAR: PATRIMÓNIO PARA QUEM?


Carlos Trincão

Leu-se há poucas semanas na web, nos jornais e ouviu-se na TV que Bruxelas classificou o Pão de Ló de Ovar como produto protegido, sendo o 17.º produto português a receber a designação pela Comissão Europeia com a Indicação Geográfica Protegida (IGP).
Ainda pela Imprensa, deu-se a conhecer a todo o País que o “Pão de Ló de Ovar - e a sua miniatura conhecida por Infantes - é um produto de pastelaria à base de ovos, sobretudo gemas, açúcar e farinha. Apresenta-se dentro de uma forma revestida com papel branco, com o formato de uma 'broa', de massa leve, cremosa, fofa e de cor amarela designada por 'ló'. Tem uma côdea fina acastanhada dourada levemente húmida e com o interior de textura húmida. O produto é confecionado no concelho de Ovar, freguesias de Esmoriz, Cortegaça, Maceda, Arada, Ovar, S. João, S. Vicente e Válega.”
Ainda bem, tanto mais que outros produtos gastronómicos portugueses tinham sido já, anos antes, defendidos e certificados.
Quando li a notícia pela primeira vez, no Facebook, teci um comentário em que a certa altura referia que não é com festivaizinhos de doces conventuais que íamos lá (ou coisa que o valha), isto é, que defendíamos convenientemente e com garra as Fatias de Tomar, o doce tomarense por excelência.
Faz agora (já fez, em fevereiro) 10 anos, apresentei na Assembleia Municipal, em nome do Bloco de Esquerda, uma proposta sobre Doçaria Tradicional assente no Programa Eleitoral e na vertente da nossa Proposta de Plano de Desenvolvimento Concelhio, que aqui me dispenso de referir, na qual, com o triplo objectivo de defender e promover a cultura gastronómica tomarense, reforçar a promoção turística de Tomar e estimular uma dinâmica económica em torno das “Fatias”, se propunha à Assembleia Municipal que sensibilizasse o Executivo para a vantagem da criação de um “momento gastronómico” anual potenciador das “Fatias de Tomar”, se possível ainda durante o ano de 2006, para a vantagem do registo da patente da “panela tradicional” em benefício dos artesãos locais que ainda a produzem e para a criação do “Núcleo da Latoaria” no âmbito do Museu Municipal de Tomar.
Na altura, o PSD, talvez a pensar que se estava a falar de um qualquer assunto perigoso e fracturante da sociedade, inviabilizou a proposta. Mas teve a hipótese de se redimir, em abril do mesmo ano, quando voltei à carga.
O problema foi depois!
Primeiro que o Executivo decidisse dar corda aos sapatos passaram-se eternidades e quando, enfim, a coisa nasceu, apresentada nos Lagares d’El Rey pomposamente, mas sem pompa, e circunstancialmente, mas sem circunstância, dei por a mim a pensar: Caramba… mas não foi nada disto que a Assembleia Municipal aprovou!” Ainda por cima, algo que tinha nascido por causa das “Fatias”, era acompanhado com uma degustação de “Beija-me Depressa”…
De facto, foi criado, à moda de Alcobaça, mas muito mal copiado, um festivalzito de doces tradicionais tomarenses, prolongado no tempo de umas semanas mas sem um momento verdadeiramente catalisador e captador de visitantes. Ainda aí veio a televisão, uma vez, parece. De fugida e no meio de um dos programas de animação das manhãs.
Bem… quando se faz uma coisa a copiar outra, como o festival de Alcobaça, que até tem promovido a criação de novos produtos, fica-se sempre por baixo porque, simplesmente, estamos a copiar e a não dar alma.
Resultado: a coisa ficou, ficou, ficou:
As Fatias ficaram para trás na sua defesa, certificação e promoção. A panela OVAL ficou CIRCULAR. O apoio aos artesãos ficou no papel. E o Núcleo da Latoaria ficou no esquecimento.
E agora que a Câmara já não é PSD, mas de Partidos que aprovaram a dita proposta de há dez anos… deixam tudo na mesma.
Eu sei que as Fatias são uma bomba calórica que deve fazer mal como sei lá o quê e que dá uma trabalheira de se lhe tirar o chapéu. Deve ser por isso que não lhe ligam nenhuma.

É o que temos.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.