APRESENTAÇÃO

“A TERRA DE QUE A GENTE GOSTA” é expressão que nos agrada. É sentida e é profunda, e é adotada como a ideia força de “TomarOpinião”.

Pretendemos oferecer críticas construtivas e diversificadas sobre os valores, as coisas e as atualidades da nossa terra, e não só. Pretendemos criar um elemento despertador de consciências e de iniciativas de cidadania, e constituir uma referência na abordagem descomprometida desses valores, dessas coisas e dessas atualidades.

Queremos, portanto, estimular o debate, de temas e de ideias, porque acreditamos que dele podem resultar dinâmicas de cidadania, que alicercem mudanças que por certo todos aspiramos.

“TomarOpinião” será um blogue de artigos de opinião e um espaço de expressão livre e responsável, diversificada e ampla.

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

BOCAS

 Mário Cobra


     Cafetaria dezena de anos depois

A informação da autarquia segundo a qual a zona desportiva vai beneficiar de uma cafetaria com esplanada, talvez justifique a opinião de que o título melhor enquadrado deverá ser “Dezena de anos depois, cafetaria na zona desportiva”. Isto caso se fale da mesma estrutura prevista na obra do Polis, idos de 2005, tendo mesmo sido colocada a base em madeira, empecilho que ainda lá pode ser visto, indicador da instalação de uma cafetaria. Ou aquela base de madeira era só para recreio canino, como acontece com a barraca erguida no Mouchão e que ainda hoje a sua utilidade permanece como grande segredo autárquico. Seria para instalar uma rataria?  
Salvo melhor opinião, exemplo dos emaranhados autárquicos, da inépcia, das complicações, uma cafetaria na zona desportiva demora uma dezena de anos a anunciar, certamente mais uma dezena de anos a concretizar. 
  
      Fitofarmacêutica na cidade

  No congresso do PSD, José Eduardo Martins, ex-secretário de Estado do Ambiente de Durão Barroso, disse que o partido precisa criar incentivos fortes em áreas como a saúde ou o sector fitofarmacêutico. 
Pois que esse incentivo, que visa destruir partes de vegetais e reduzir ou impedir o seu crescimento indesejável, chegue a Tomar onde, assim se queixam os munícipes, abundam as ervas daninhas.

    Plano Nacional de vacuidades

Anunciado pelo governo de forma assaz mediática, o Plano Nacional de Reformas define prioridades tão vagas e óbvias quanto a qualificação dos portugueses, a transferência de conhecimentos entre as universidades e as empresas, a valorização do território, a capitalização das empresas, a modernização do Estado, e o reforço da coesão social e da igualdade. 
Acrescentamos nós: Honrar pai e mãe e seus legítimos superiores, não invocar a austeridade em vão, guardar domingos e feriados, em especial os repostos, não cobiçar as coisas alheias, não cobiçar a mulher do próximo, em especial se ela não quiser… 

      Acabar com as doutorices

A proposta de Paulo Rangel apresentada no Congresso do PSD foi a de que em documentos oficiais, actos públicos e instituições do Estado deixe de haver tratamento por doutores, engenheiros e arquitectos. Ora, dizemos nós, com o 25 de Abril, deu-se a transformação do chamado ensino, possibilitando aos filhos dos trabalhadores a igualdade de acederem às licenciaturas mandando às urtigas as escolas técnicas. Como valorização dos filhos do pessoal de trabalho, todos os licenciados passaram a designar-se doutores. Haverá agora aldeias onde há doutores casa sim, casa não, quem vai para baixo, em todas as casas, quem vem para cima. Ora, vamos agora acabar com esses estatutos tão popularmente conquistados?    


         Presidente em alta disponibilidade  

A anunciada (no dia 1 de Abril) presença do Presidente da República no Congresso da Sopa não se confirma, porque, sabe o Thomaropinião em primeira boca, que este alto dignitário já se tinha comprometido com a sua presença na sardinhada dos santos na Gualdim Pais. 


sexta-feira, 4 de março de 2016

AS MEDALHAS QUE A DONA CÂMARA DE TOMAR DEVIA TER ATRIBUÍDO

  Há c´anos era uso os tomarenses aproveitarem o aniversário citadino para invadirem o Continente de Leiria. Eivado de grandiosa generosidade, o Ti Belmiro de Azevedo construiu o “Modelo”em Tomar, infra-estrutura mais iluminadora do comércio do que então as famigeradas aparições das santas do 14. Abreviando, entrementes a diversidade tem levado o pessoal a pirar-se no dia do aniversário da cidade para outras metrópoles, Lisboa onde há um centro comercial a cada esquina, Coimbra porque agora se chega lá mais depressa do que à Serra de Tomar. Paga-se portagens mas quem usa a Via Verde nem dá pelo pagamento, pelo menos por uns dias até a via verde amadurecer na conta.  
                Dos poucos tomarenses restantes na cidade no dia do aniversário, alguns filantropos decidem arrastar-se até à Praça da República. Pelo menos em anos anteriores era assim, este ano não fomos porque nos esquecemos de comprar uma gravata nova e naturalmente não íamos usar a mesmo do ano passado por causa dos remoques “Aquele mal enfarpelado nem tem dinheiro para se produzir”. Também é verdade. A festa vive muito dessa produção visual.
                Em anos anteriores, Praça de República palco da festa de aniversário da cidade, sempre entendemos emocionante o perfilar dos garbosos cavalos, a meia-lua associativa, o içar das bandeiras nas janelas autárquicas, excepto as de trás, o senhor executivo camarário a depor a coroa no pedestal de D. Gualdim. Depois os enternecidos cumprimentos, quiçá com as associações a segredarem à dona câmara “Não se esqueça de mandar o cheque”. A compor a festa, os cavalos não se esqueciam de largar umas valentes bostas. Chegou a sugerir-se trazerem fraldas… os cavalos.
                Este arrazoado para compor o atrevimento deste simples plebeu também poder desbragar opinião sobre as medalhas que alegadamente a dona câmara devia ter atribuído. Aqui ficam, ressalvadas as outras opiniões naturalmente mais qualificadas. Antepondo-nos a eventuais divergências, será curial circunstanciar quanto o nosso destrambelho se deve a vivermos um período de elevada perturbação mental, atendendo ao extremo de, por exemplo, muitos tomarenses, onde nos incluímos, ainda não se terem resignado à perda do Quartel-General (por mais esforços desenvolvidos, ainda não foi possível encontrá-lo), assim como muitos tomarenses acreditarem no privilégio sustentável do tesouro dos Templários ainda se encontrar a render juros. Além disso, vejam lá bem, quem diria, a prestigiada Simone de Oliveira, figura nacional, intérprete de canções de reconhecido mérito, está a esfolar o rabo da sua carreira como vendedora do Calcitrin. Falando nisso, em ganhar uns extras, ora bolas, esquecemo-nos de ir ao casting para a nova novela da SIC, a rodar em Tomar, calhando aproveitando o cenário da roda.   

As medalhas que a dona câmara devia ter atribuído e seja o que Deus quiser

Medalha munícipe mais popular - A atribuir ao ex-vereador, Carlos Silva, por integrar todos os grupos de comensais almoçadeiros/jantareiros, nomeadamente os segundas, os terças, os quartas, os quintas, os sextas, os sábados, os domingos e os feriados.
Medalhas mérito assembleia-geral e orgulho de ser o último - A atribuir ao deputado municipal, João Simões, por assumir o cargo de presidente da assembleia-geral de todas as colectividades e por fazer questão de ser sempre o último atleta a cortar a meta nas 3 Léguas do Nabão.
Medalha autarca mais honrado - A atribuir a Gabriel Honrado, presidente da Junta de Freguesia da Pedreira.
Medalha Património da Humanidade - A atribuir aos chocalhos de Asseiceira pela recente qualificação de Património da Humanidade. Assim sendo, Tomar passa a contar com duas atribuições de Património da Humanidade, o Convento de Cristo e os chocalhos de Asseiceira.
Medalha de eficácia e celeridade - A atribuir a todos os serviços municipais que tornaram possível a intrépida façanha da recuperação do edifício do mercado municipal ter demorado apenas cinco anos.
Medalha de mérito municipal - A atribuir a todo o cidadão que tem tentado apontar, tantas vezes sem sucesso, as ratazanas municipais ávidas em perturbar os serviços da autarquia, em especial os processos, mais ainda quando estas ratazanas ruminam por debaixo da mesa.
Medalha de mérito de produtividade - A atribuir aos técnicos superiores que a dona câmara se deu ao luxo de colocar na prateleira, sendo reconhecido a estes técnicos o zelo de não cometerem agora qualquer erro ou omissão na prestação do superior serviço que lhes foi retirado.
Medalha que afinal era falsaA atribuir ao empresário indiano que pretendia investir quase dez milhões de euros na construção de uma destilaria em Tomar mas desistiu do projecto porque não sei quê, não sei quantos.  

Nota - Para o ano quiçá haverá mais se a comemoração do aniversário da cidade ainda teimar em persistir.

Mário Cobra