APRESENTAÇÃO

“A TERRA DE QUE A GENTE GOSTA” é expressão que nos agrada. É sentida e é profunda, e é adotada como a ideia força de “TomarOpinião”.

Pretendemos oferecer críticas construtivas e diversificadas sobre os valores, as coisas e as atualidades da nossa terra, e não só. Pretendemos criar um elemento despertador de consciências e de iniciativas de cidadania, e constituir uma referência na abordagem descomprometida desses valores, dessas coisas e dessas atualidades.

Queremos, portanto, estimular o debate, de temas e de ideias, porque acreditamos que dele podem resultar dinâmicas de cidadania, que alicercem mudanças que por certo todos aspiramos.

“TomarOpinião” será um blogue de artigos de opinião e um espaço de expressão livre e responsável, diversificada e ampla.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

JARDINS POLÍTICOS


  António Pedro Costa

O tema deste mês permitiu-me pôr a imaginação ao serviço de um tema muito discutido, a política. É possível criar uma metáfora e comparar o mundo político com um, ou até com vários jardins. Consequentemente, os seres que estão envolvidos nesse campo podemos ver como flores. Aos eleitores chamemos de jardineiros.
Nos jardins políticos, continuamente estão a nascer e a crescer novas plantas. No espaço americano, por exemplo, deparamo-nos com uma flor dourada e reluzente que subiu a um pedestal deixando algumas incógnitas. Será que vai querer relacionar-se com as outras plantas, quer a nível interno, quer a nível externo? Será que vai corresponder aos jardineiros, graças aos quais existe, de alguma forma diferente? Numa pequena reflexão, estou convicto de que o motivo do aparecimento desta flor foi o facto de as plantas que estão tradicionalmente plantadas nos jardins, estarem murchas e sem resposta aos jardineiros, que todos os dias regam as mesmas, não existem melhorias, nem esperança de jardins bonitos.
      Pelo jardim europeu os sintomas de doença são evidentes, pois existem cada vez mais jardineiros desiludidos com as flores que desabrocham. Os jardineiros que plantam as sementes, na expectativa de terem grandes resultados e um jardim estável e bonito, acabam por criar apenas fungos e umas ervas daninhas difíceis de vencer.
        A nível nacional, o horto não é muito diferente. Vivemos num lugar onde há uma predominância de rosas, com umas ervas que dão um pouco de alento às rosas - resta perceber se as borrifadelas e o cheiro que agrada aos jardineiros aguenta. A nível local, temos o nosso pequeno jardim. Tem várias espécies, que vão habitando e digladiando-se entre si com algum entusiasmo. Certas plantas gostam de libertar pólenes que causam alergia aos jardineiros que querem viver pelo jardim tomarense e até tornar este local seu. A ausência de flores consistentes, maduras e revitalizadoras é preocupante. Mas ainda existe esperança num local bonito. Existem sementes prontas a serem cultivadas e os jardineiros já o entenderam. A expectativa de uma boa colheita é real. 
         Concluindo, os jardineiros, hoje em dia tem mais informação, e procuram uma intervenção mais profunda nos canteiros. A exigência para termos o nosso local com uma estratégia, uma organização e um aumento de interesse por parte dos jardineiros, pode estar apenas na escolha madura, responsável e preparada. As sementes estão prontas a ser deitadas à terra.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

PATRIMÓNIO DESPORTIVO

  António Pedro Costa

 O tema património é vasto mas positivo, porque permite escolher um caminho, ou um sentido do que queiramos dizer. Isto é, não faltam opções de “património” para realizar essa escolha. Sendo um desportista e ex-atleta de futebol federado, é acerca do nosso património desportivo que opino. Dois clubes desportivos pontificam na Cidade.
Foi num deles, talvez o mais representativo do concelho, que com tenra idade comecei nos seus escalões infantis. Orgulho-me de ter jogado futebol no União Futebol Comércio e Industria de Tomar. O União de Tomar para além de um clube emblemático, foi uma autêntica escola de vida. Foi lá que fiz amizades para a vida, onde tive muitas alegrias, algumas tristezas, onde também aprendi. Devo aquele clube um pouco daquilo sou hoje. E digo muito obrigado!
   Contudo, foi também com a experiência futebolística que conheci e comecei a vivenciar determinadas situações sociais e políticas. Infelizmente, não vivi os tempos áureos que o União trouxe a Tomar, quando mobilizava o Concelho. Infelizmente, ao longo do tempo fui constatando o declínio e até uma certa indiferença perante um clube que tanto deu à cidade.
 Ora, o assunto pode ser estudado a nível social e até político. Atualmente, os corpos sociais do União de Tomar, são garantidos por pessoas que lutam por uma causa, e que têm amor verdadeiro à camisola que vestem. Agradeço-lhes, como ex-atleta e como tomarense, o trabalho desinteressado que oferecem ao Clube e à Cidade. Sei que não é fácil gerir um clube, ainda por cima com as condições que existem hoje.
  O património desportivo que Tomar tem, deve-se em grande parte ao União de Tomar. E por vezes parece que é esquecido. As razões podem ser variadas, mas o património de honorabilidade e o valor da instituição União de Tomar devia ser mais considerada por Tomar pela classe política.
  Nas minhas ainda frescas memórias, recordo com grande carinho o respeito que os adversários demonstravam pelo União, por tudo aquilo que representou a nível distrital e nacional, e a ambição que tinham em nos vencer.

  O património do União de Tomar, não pode ser esquecido, nem, ser lembrado apenas em épocas festivas. Quando ao final das tardes vemos o “Estádio” Municipal cheio de crianças (e mais a norte, o campo da Nabância também com as camadas jovens), é reconhecimento, gratidão e orgulho que sentimos. O “União” tem um lugar de destaque no nosso coração, e é um baluarte do património desportivo de Tomar. O tratamento que lhe devemos é de dignidade e grande respeito. 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

FRENESINS

António Pedro Costa

Em pleno seculo XXI, vivemos uma autêntica “enxurrada” de informações, que nos permite dizer que a notícia que aconteceu há 5 minutos, já é passado. Atualmente, a nossa vivência é de facto um frenesim. Vivemos tempos onde a superficialidade e a constante informação, torna o mundo mais leviano e lhe confere constante mutação. É um autêntico frenesim!
  O frenesim do desporto. A intensidade, a frenética que vemos e vivemos no futebol, torna este desporto um centro nevrálgico de uma constante e consequente informação. Tomemos como o exemplo, o caso da seleção nacional. Ao ligarmos o televisor, os constantes diretos, de treinos, de passeios dos jogadores, de microfones a irem parar ao rio, o esmiuçar de posturas, de comportamentos, de afirmações, tudo é escrutinado.
  No consumo. Basta entrar num centro comercial, e deparamos com o frenesim de gente. O “circo” está montado! As autênticas campanhas de consumo montadas pelas marcas têm como objetivo submergir as pessoas, induzir o comprar só por comprar, num frenesim por vezes diabólico. Outros exemplos, nos hipermercados, as promoções, os descontos em cartão, no combustível, no pague 2 e leve 3, tudo torna a política de consumo frenética.
  Nas nossas vidas. Hoje em dia, é com alguma certa ironia, que vejo algumas pessoas a chamarem-se “irmãos” e “irmãs”, com uma facilidade incrível, sendo apenas pessoas amigas. É um sinal dos nossos tempos, uma espécie de moda, que é mais utilizada pelos mais novos, mas que gente mais crescida - também gosta de exibir. Não condeno, de todo. Apenas acho que uma palavra que tem tanta profundidade - não deve ser misturada com amizade. Podem acusar-me de retrógrado, mas misturar este tipo de coisas não é coisa que deva ser feito. Tenho grandes amigos, a quem poderia chamar de “irmãos” mas prefiro que eles continuem a ser grandes amigos e presentes na minha vida, do que “irmãos”. A frenética deste juízo que faço, está na constante mutação de amizade, de relacionamento entre as pessoas sejam pessoal ou até mesmo profissional, mas que de um momento para o outro desaba. A frenética de sentimentos seja de que maneira for é por vezes tão pequena, que ao mínimo tremor, tudo desaba. Deixam de ser “irmãos”, para se zangarem como “comadres”.
  E como não podia deixar ser, um campo onde a frenética tem sido total, a política. O espelho do que é um político frenético: o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. É um autêntico frenesim a sua agenda política. De facto, tenho de deixar uma nota positiva ao seu trabalho inicial, digno de um verdadeiro chefe de estado. A sua postura tem sido muito interventiva, talvez um pouco de moderação não seria mau é verdade, mas a postura verdadeiramente institucional - de representante máximo do Estado é salutar.
  O Governo Português é outro tipo de frenesim, mas diferente da postura da Presidência da República. Com uma certa “arte geringonça”, o nosso primeiro-ministro vai ultrapassando obstáculos e sobrevivendo. A sobrevivência passa pela satisfação de necessidades que a esquerda gostaria de realizar. Com apresentação de algumas propostas que apenas são como “boias de salvação” deste governo. Resta esperar as consequências de algumas medidas tão rapidamente aprovadas, não arriscamos a ter novamente uma frenética de eleições legislativas.
  No poder local o frenesim é muito baixo, quase nulo, apresentando esporadicamente alguns picos frenéticos. No entanto, Tomar vive um frenesim negativo. O frenesim político negativo, que torna a nossa terra numa terra sem solução à vista. O concelho de Tomar podia ser um autêntico frenesim positivo, e com um progresso fantástico. Ao invés, a pseudo-frenética que nestes últimos 3 anos se viveu em Tomar, traz uma perspetiva pouca animadora. Contudo, esperemos que o frenesim político tomarense, se torne diferente e com uma perspetiva política frenética…positiva e bem preparada.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

EM TRÂNSITO

 António Pedro Costa

Se estivesse dentro de um carro, em hora de ponta, parado no trânsito, e ouvindo as notícias do trânsito em Tomar, seria mais ou menos assim:
“-Trânsito com fila lenta desde a entrada sul da A13 até à saída da Zona Industrial de Tomar. O motivo para esta demora, prende-se com o engarrafamento de camiões pesados, e as obras das empresas que aderiram ao “Tomar 2020” instalado pelo executivo socialista.
 Já na estrada nacional 110, na entrada sul de Tomar, o trânsito está congestionado visto que o lixo junto às margens do Nabão, com o vento foi todo para a estrada, e os gansos, as cegonhas  e os patos das redondezas aproveitaram para remexer no lixo procurando algum alimento. Recomendamos cautela à passagem no local.
   Já dentro da cidade, ter cuidado com o  veiculo  cisterna cheio de herbicida que avariou logo no primeiro canteiro de ervas que apanhou. O motivo prende-se com o matagal intenso e difícil de controlar. Informações recolhidas no local, já denunciaram a presença do ex-chefe de gabinete da Presidente de Câmara com um colete bem visível a controlar a ocorrência, fazendo a gestão de controlo do pessoal em simultâneo com o apito na boca a controlar trânsito. . Pede-se cautela a quem não simpatiza com o partido do prestimoso autarca , sob pena de ser identificado, e ordenar que encoste à berma para passarem os camaradas.
  Na zona do Convento de Cristo, o trânsito está lento, com fila grauda e a demorar uma eternidade para chegar até à cidade. O congestionamento resulta  da falta de solução para os visitantes do Convento de Cristo visitarem também a cidade. Fontes próximas do processo  afirmaram-nos que a senhora Presidente de Câmara, está a promover uma saída em rappel desde a Cerrada dos Cães até ao sino da igreja de São João. De forma a que quem descesse desse um safanão  em cada sino. Esta solução custa um euro a cada turista, com desconto para quem quiser ser  camarada.
 Para  amanha está prevista uma manifestação pelas ruas da cidade, para dar  graças aos investimentos e à estratégia que o executivo camarário tem promovido junto dos investidores  e da população em geral. O início está previsto junto à estátua Gualdim Pais, terá algumas paragens técnicas, em especial para a zona do flecheiro, e zona industrial.
  Para mais informações, ou informações oportunas , visite o site do município, ou mais direto, acompanhe pelas redes sociais o  ex-chefe de gabinete da Senhora Presidente de Câmara no Facebook. Caso tenha sido bloqueado, foi apenas uma falha do sistema, e apresentamos as nossas desculpas”
  E seria mais ou menos assim. É preciso ter cuidado ao circular na estrada por este concelho.  

quarta-feira, 13 de abril de 2016

AS NOSSAS FONTES

  António Pedro Costa

  É um facto, que Tomar e os seus rios estão inteiramente ligados. Pela caracterização que dão, e pelas potencialidades que nos oferecem. Indiscutivelmente temos o rio Nabão como elemento de maior destaque, pois trata-se do “sangue” vivo que dá vida a Tomar. Numa zona mais extrema do concelho, o nosso maior caudal de grandeza, o Zêzere, é hoje em dia um gigante que “adormece” quando passa pelo concelho. E falando em potencialidades - pois é demasiado óbvio que elas existem – tanto o Nabão como o Zêzere transbordam das mais diversas faculdades que nós podemos aproveitar.   Estamos num burgo profundamente exigente, mas também com uma profunda resignação, e, atreve-mo a dizer com alguma passividade perante tão boas propriedades que nos foram dadas pela Natureza. Sim, não foi ninguém que cá as meteu. 
  O rio que divide a cidade ao meio é um marco importante da nossa história, com um leito cheio de estórias para contar. É caracterizado pelos seus açudes, não com água cristalina, mas com uma “fisionomia” interessante, que ao chegar à ponte velha nos oferece uma paisagem bonita e faustosa. De uma coisa podem ter a certeza, ninguém nos tira esta preciosidade natural. Seria um crime, não referir aquela roda de origem árabe, junto àquela pequena ilha chamada Mouchão, que está em qualquer cartão-de-visita da cidade. No entanto, a despedida das margens do rio, atualmente, na zona do flecheiro é verdadeiramente triste. Enquanto o rio vai embora da cidade, quem chega pela zona sul depara-se com o lixo amontoado que fica preso num velho açude, desaparecendo o lixo apenas quando o caudal em tempo de chuva sobe. Que belo cartão-de-visita! Isto para não falar das margens daquele sítio, tristes e cinzentas. O rio não merece uma despedida assim da cidade. 
  Como já referi, o rio com a sua localização deve ser um ponto essencial na atração de turismo, e do seu verdadeiro aproveitamento. Todos os projetos já programados para o rio são muito bem-vindo, e devem ser devidamente equacionados pelos responsáveis políticos. O rio Nabão pela sua centralidade tem de ser um tema do debate político e não pode ser esquecido, como tende a ser. Não basta ordenar limpezas esporádicas das margens, é necessário encontrar formas de as potencializar. Obviamente, neste capitulo pelo menos tem que ser encontrada uma solução para o Flecheiro de modo a dar vida às margens do rio, e a garantir a sua preservação. Ao fim ao cabo, a água é o bem mais importante que temos no planeta. 
  O rio Zêzere é um exemplo de como o seu aproveitamento noutros concelhos por onde passa, contrasta com a quase passividade com que é encarado entre nós. Este desaproveitamento do Zêzere é uma história bem antiga. A pergunta é simples: o que fazer com o Zêzere? A resposta também: “usar e abusar”. É um ponto de convergência importante de todos os verões. Os banhos, os passeios de barco, as pescarias, e outros aproveitamentos de lazer, tornam o Zêzere um local de culto para ócio. Nem sequer uma singela praia fluvial temos, apenas e por enquanto ao papel ou à imaginação.  Concluindo, e acabando como comecei, Tomar deve aproveitar as potencialidades que a Natureza nos dá. É importante referir, que a nossa cidade, tendo o potencial natural enorme para o turismo que tem, não está dotada de uma visão estratégica onde figure o aproveitamento e a valorização do Nabão e do Zêzere, e das suas bacias.
  O tema “água” é para além de pertinente, um tema sério e reflexão importante.    

terça-feira, 29 de março de 2016

PALAVRA DE HONRA

 António Pedro Costa 

 Quem já não ouviu a expressão “palavra de honra”? Por certo todos nós já ouvimos, já o dissemos. E agora pergunto a quem lê estas palavras, há quanto tempo não ouve tal expressão? Curioso pormenor, curiosa expressão que caiu em desuso, que por um lado causa estranheza, por outro, seguiu talvez um caminho natural na sociedade em que vivemos.
  Se olharmos para o aspecto sociológico da questão, o descostume da expressão “ palavra de honra” demonstra muitos fenómenos a vários níveis, mas principalmente ao nível sociológico. Vivendo tempos conturbados, onde temos um país com uma economia precária, situações financeiras das famílias e das empresas difíceis, é natural que provoque uma crise em vários níveis, e o nível dos valores é por demais afectado.
  Temos vários exemplos na sociedade portuguesa, onde a crise de valores é latente. Basta ligar o televisor das nossas casas, e ver alguns programas que vão para o ar e temos a prova como a nossa sociedade vive, e ao que parece gosta de viver. Tudo aquilo que assistimos através dos ecrãns televisivos é por demais evidente. Não é preciso referir o nome do programa, mas naquilo que consiste certo saberão do que falo. Um programa onde tem como objectivos testar pessoas numa casa, com jogos de intrigas de mentiras tudo por um objectivo, dar entretenimento (?). De referir que é este tipo de programa que dá audiência. Não posso criticar quem vê e gosta deste tipo de programas, mas posso observar que muita coisa corre mal na nossa sociedade quando o número de inscrições de um reality show é superior ao número de inscritos para o ensino superior. 
  No espectro político apresentam-se algumas semelhanças. A classe política está completamente fragilizada, as pessoas estão cada vez mais “desligadas” do debate político e dos políticos, e em boa verdade porque não há palavra…não há honra nas palavras, e não se cumpre! Podemos assim dizer que a classe política está um verdadeiro reality show. Os programas eleitorais mal estruturados e falsas promessas, as promessas feitas que dão a origem a promessas falhadas, e muito importante, os discursos onde se usam as palavras em tom convincente, mas sem HONRA, sem respeito por quem acredita nos discursos convincentes.
  A palavra de honra tem um simbolismo forte. Representa para quem diz, uma forma de transparência. Fazendo uma análise aos “nossos” mundos, quantas palavras sem honra já ouviram? Ou há quanto tempo não ouvimos palavras com honra? São tudo perguntas de reflexão. Toda a veracidade que usamos nas palavras, não deve ter só, apenas a palavra de honra mas todo o acto e prática em si…com Honra!
  Creio que precisamos de numa regeneração dos valores da sociedade. É também tempo de não reclamar só direitos, mas também exigir os deveres. Existe a Carta dos Direitos do Homem, e porquê não existir a Carta dos Deveres do Homem? Seria importante para que talvez a sociedade fosse mais igualitária e mais justa. Por certo, a sociedade evoluiria de uma forma sã, e embora não deixe de ser imperfeita, os maus políticos desapareciam, os maus programas televisivos desapareciam, e talvez houvesse espaço para mais dignidade e mais verdade naquilo que se promete, naquilo que se diz. Os actos e as palavras voltariam a ter honra!

terça-feira, 15 de março de 2016

PARA ONDE VAMOS?

António Pedro Costa

Portugal iniciou o processo de divisão administrativa do seu território em 1835. Foram criados 18 distritos, que ao longo dos tempos sofreram alterações. A mais notória foi a extinção do Distrito de Lamego, que deu lugar ao Distrito de Viseu. Desde então, apenas foram extintos os governadores civis, situação levada a cabo pelo anterior governo.
Nos tempos que correm, é perfeitamente discutível e até oportuno discutir as regiões administrativas do país. Como defensor da regionalização, não posso deixar de pensar que a perspetiva geográfica de Tomar, bem como os seus interesses económicos e sociais, devem ser repensados.  Os distritos foram limitados e ordenados consoante as condicionantes da época em que foram criados. As consequências dessas condicionantes têm sido superadas ao longo dos tempos através das comunidades intermunicipais (antigas associações de municípios). Estas promovem um núcleo de municípios, identificados e agrupados por interesses comuns e vantagens económicas, culturais e sociais.
O caso de Tomar, cidade que pertence a uma Comunidade Municipal do Médio Tejo e da qual também fazem parte concelhos do distrito de Castelo Branco (Vila de Rei e Sertã), insere-se num contexto que deve ser muito bem reanalisado.
            Atualmente, graças às novas vias de comunicação, conseguimos estar em Coimbra após 45 minutos de viagem (mesmo pagando caro as portagens) ou em Leiria em mais ou menos o mesmo tempo
Com as novas vias de comunicação, estar em Coimbra após 45 minutos de viagem (mesmo pagando caro as portagens) ou em Leiria em mais ou menos o mesmo tempo, é uma realidade. Este evidência pode ajudar-nos a questionar se Tomar é de facto uma terra ribatejana nos tempos que correm ou não.
A vegetação do seu território, onde o pinhal e o eucaliptal são as espécies predominantes nas zonas rurais do concelho, talvez comprove a identificação da região de Tomar com a parte mais central do país do que com a parte mais para sul/sudoeste (campo semeado e lezíria).   
            Os interesses económicos do distrito de Santarém em pouco se identificam com os do Município de Tomar. Como já referi, hoje em dia, qualquer cidadão tomarense tem facilidade em deslocar-se para Leiria ou Coimbra. Os serviços prestados nestas cidades são muito mais úteis ao cidadão comum tomarense do que propriamente os prestados em Santarém. A título de exemplo, a saúde em  Coimbra.
Quiçá, estas zonas de afluência sejam mais pertinentes e possa existir um interesse económico comum entre Leiria e Coimbra. Isto leva a pensar na zona industrial. Repensar tudo não será o ideal, mas pensar em novos polos industriais nos limites oeste e norte do concelho poderia ser uma forma de atrair investimento e fazer crescer economicamente a região.
A discussão sobre todos estes fatores é importante e é também certo que este tipo de questões terá muita mais importância se existir uma vontade séria em discutir a regionalização. Esperemos que a teoria da descentralização defendida pelo primeiro-ministro António Costa seja debatida no parlamento. O país necessita de consensos nas decisões administrativas e é necessário que os partidos tradicionalmente do arco do poder se aproximem e estabeleçam políticas bem estruturadas quanto à administração do país, possibilitando uma descentralização equilibrada.   
Todos nós podemos refletir e antecipar os resultados da descentralização. Fazer um debate sério e pensar no que, de facto, é o melhor para o concelho de Tomar será um passo importante para um município mais próspero e com crescimento económico. As crises também são oportunidades e, em tempos, Tomar teve a sua influência na região. Repensar como se reganha esta importância é uma responsabilidade que cabe a todos os quadros políticos locais, mas também à sociedade tomarense. O que queremos? 

terça-feira, 1 de março de 2016

A MÍSTICA TOMAR

 A cidade de Tomar tem uma fantasia, um chamamento muito peculiar que desperta um “mix” de sensações vividas com uma intensidade marcante e muito própria. De difícil explicação, talvez, fruto de um tal esoterismo templário que nos atrai. Existe uma magia muito própria, onde a atracção está presente por quem aqui passa, e é marcado profundamente. Todos os lugares nos marcam, de uma forma ou de outra, mas Tomar é diferente.
  Um rio que leva no seu leito um passado histórico, que a natureza desenhou nos seus traços de água e verdura em volta, coube aos nossos antepassados começando por construir e erguendo lá num alto, um castelo imponente e cheio de misticismo. A cidade de Tomar é por isso um lugar diferente de todos os outros, tem um mistério próprio. Do manto chamado "Nabão", espelha-se os monumentos que confirmam a grandeza desta terra, a existência da multiplicidade de religiões e culturas que aqui esteve presente, e quantas obras e importantes individualidades por aqui passaram, e por aqui ficaram.
  Com um passado tão rico, devidamente reconhecido em todos os livros de história, é tempo de voltar a escrever novos e importantes acontecimentos, neste presente cada vez mais rápido e vivido. Como primeiro artigo, não podia deixar de referir a importância, muitas vezes esquecida que Tomar foi, é, e será sempre.
  Vamos entrar na segunda década do século XXI, Tomar apresenta-se como uma cidade amorfa, sem vida, vivendo apenas do passado, e não baseando o passado para construir um futuro promissor. O legado de Tomar é deveras importante e não deve ser desresponsabilizado de todos nós, que temos a obrigação de contribuir para que as conquistas do passado não tenham sido em vão. Não se pode banalizar o legado que aqui ficou.
  O dia da cidade é o momento ideal para refletir para onde queremos levar, o que queremos deste lugar, e que legado queremos deixar às gerações vindouras. Esta gente, esta Terra chamada Tomar que se torne um local honrado no seu passado, no seu presente e no seu futuro. Como? Inspirando cada vez mais o sentido cívico e o sentido de amor pela terra que nos acolhe.
  Por vezes, caísse na tentação de fazer diferenciação entre as gentes por aqui passam, e as gentes que nascidas aqui. A bem da verdade é preciso perceber que todos nós estamos de passagem, e os ditos “metecos” desta terra devem ser igualmente valorizados e respeitados, pois também vivem e sentem este lugar como deles. Tanto para o bem como para o mal, este lugar marca qualquer um.
  Como um jovem que ama as suas raízes e a sua terra, tenho todo o gosto em dedicar-me a temas, e a dar o meu singelo contributo, daquilo, que em minha perspetiva é importante ser discutido, e ser proposto a Tomar.
  Concluindo, em dia da cidade, a mística de Tomar seja devidamente vivida. Ela existe, ela está no quotidiano deste burgo, em cada esquina, em cada lugar, em cada personagem que conta um pouco da história por quem passa no centro histórico, e sobretudo, pelo legado que está em cada monumento com a sua devida imponência e preponderância na História de Tomar e na História deste País.   

António Pedro Costa