APRESENTAÇÃO

“A TERRA DE QUE A GENTE GOSTA” é expressão que nos agrada. É sentida e é profunda, e é adotada como a ideia força de “TomarOpinião”.

Pretendemos oferecer críticas construtivas e diversificadas sobre os valores, as coisas e as atualidades da nossa terra, e não só. Pretendemos criar um elemento despertador de consciências e de iniciativas de cidadania, e constituir uma referência na abordagem descomprometida desses valores, dessas coisas e dessas atualidades.

Queremos, portanto, estimular o debate, de temas e de ideias, porque acreditamos que dele podem resultar dinâmicas de cidadania, que alicercem mudanças que por certo todos aspiramos.

“TomarOpinião” será um blogue de artigos de opinião e um espaço de expressão livre e responsável, diversificada e ampla.

tomaropiniao@gmail.com


sábado, 16 de abril de 2016

A FABULOSA FAUNA AQUÁTICA DE TOMAR

 Rui Ferreira


 Serpenteando por uma idílica paisagem verdejante, o rio Nabão encerra mistérios que apenas os naturalistas mais experientes podem aquilatar. As suas águas duras, que desde a Serra de Ansião vão solvendo as rochas jurássicas, chegam calmas a um vale outrora pantanoso. Aqui vivem várias espécies de animais. 
  Ao olhar mais distraído surgem espontaneamente os castores, as lontras e os peixes. Estas são as principais espécies e, portanto, os atores desta fantástica história.
  Durante séculos, castores e lontras têm disputado o poder no Nabão. Os peixes, uns maiores outros mais graúdos, vivem do que apanham a boiar, lutando encarniçadamente por algum naco de alimento, sofrendo com o estio no caudal do rio, condenados à sua condição aquática, abrindo e fechando a boca, como se comer e respirar fossem a mesma coisa.
  Os castores são um género de roedores cujos incisivos ganham uma cor alaranjada. Detestam ser apelidados de ratos de água e rejeitam qualquer comparação com os seus primos do esgoto ou dos campos. A principal ocupação dos castores é construir. Têm tanto empenho nisso que chegam mesmo a destruir para a seguir fazer a sua obra. É a sua natureza. 
  As lontras, por seu lado, têm um modo de vida mais descomprometido. Ao contrário dos castores, não são monógamas e aproveitam qualquer buraco para fazer ninho. Não são construtoras, gostam mais de passar o tempo em atividades lúdicas, como a natação artística, assobiar ou mesmo cantar. Também as lontras escondem um segredo: são primas das doninhas.
  A nossa história vai encontrar os bichos nabantinos reunidos junto a uma ilha do rio. Tinham passado 52 luas e os peixes, cansados de tanto tronco cortado, tanta represa e tanta confusão, ficaram emocionados com os assobios graciosos das lontras e escolheram nadar para a margem esquerda. Este era, já há muitos anos, o modo como os peixes escolhiam os seus soberanos. Nadavam desvairadamente para uma margem ou para outra. Desta vez, ganharam as lontras. 
  Nos montes, junto aos regatos dos pinhais, as doninhas festejavam com escaravelhos suculentos. As ratazanas, iradas, refugiavam-se nas tocas húmidas onde tinham guardado alguns mantimentos.
  A maioria dos peixes tinha rumado à margem esquerda, não só por estar cansada dos castores, mas também porque as lontras, do alto da ilha do rio, lhes tinham dito que iriam resolver o problema dos lagostins! Como todos sabemos, as lontras adoram lagostins. O lagostim, apesar de ter uma casca dura, sempre é mais acessível que o berbigão ou a amêijoa, cuja casca tem de ser partida com ferramentas. Acontece que os peixes andavam incomodados com os lagostins e certos barbos gritavam mesmo, a guelras abertas, tratar-se de uma infestação!
 Os castores, com tanto engenho e arte, nunca conseguiram resolver o problema e os lagostins, coitados, encravados entre a terra e a água, apenas conseguiram que os castores lhes oferecessem uns troncos de madeira. Pudera! Com dentes daquele tamanho, também eu arranjava troncos, pensou o velho lagostim do bigode.
  As lontras, uma vez no poder, cantaram em uníssono um hino, misto de assobios e gemidos de satisfação. Os peixes que tinham nadado para a margem esquerda ficaram entusiasmados. Algumas bogas e bordalos comentavam entre si que agora, com o rio mais limpo, poderiam nadar tranquilamente sem serem incomodados com os paus aguçados e a água turva dos castores. 
  Porém, a sorte dos peixes nunca é grande. As lontras do Nabão, além dos carreiros nas ervas, só sabem marcar o território com pequenos dejetos, colocados estrategicamente em pontos altos. As suas mãos têm barbatanas escondidas e não garras. A sua imagem de marca é a rapidez e a graciosidade, não a eficácia. Por isso, como o assunto dos lagostins nunca mais tinha saída, alguns velhos barbos fizeram um ultimato às lontras: Ou resolvem o problema dos lagostins, ou os peixes deixam de alimentar as lontras!
  No ninho das lontras a azáfama era sempre grande, são uns bichos que não conseguem estar quietos. Quando estão juntas têm a tendência de se morderem umas às outras. Não são mordeduras fatais, mas antes manifestações gregárias de autoridade. Claro que os peixes, mesmo tendo as orelhas pequeninas, debaixo de água, escutam tudo!
  Assim, o cardume pôs-se à escuta e, entre guinchos e mordidelas, ficou a saber que as lontras nunca iriam tratar do problema dos lagostins. Entretanto, a notícia espalhou-se. Toda a bicharada ficou ciente do logro das lontras. Os castores começaram imediatamente a afiar os seus paus, procurando mostrar serviço e não cuidando que, mais uma vez, a sua falta de graciosidade poderia ferir os peixes. 
  Um pato, sobrevoando o vale, tinha visto o rio, as margens, a ilha, os paus e as construções dos castores, os carreiros e as marcas das lontras e os lagostins encardidos na margem. Pousou junto aos peixes e disse: Amigos peixes, cada um acredita facilmente, no que teme e no que deseja.


quarta-feira, 13 de abril de 2016

AS NOSSAS FONTES

  António Pedro Costa

  É um facto, que Tomar e os seus rios estão inteiramente ligados. Pela caracterização que dão, e pelas potencialidades que nos oferecem. Indiscutivelmente temos o rio Nabão como elemento de maior destaque, pois trata-se do “sangue” vivo que dá vida a Tomar. Numa zona mais extrema do concelho, o nosso maior caudal de grandeza, o Zêzere, é hoje em dia um gigante que “adormece” quando passa pelo concelho. E falando em potencialidades - pois é demasiado óbvio que elas existem – tanto o Nabão como o Zêzere transbordam das mais diversas faculdades que nós podemos aproveitar.   Estamos num burgo profundamente exigente, mas também com uma profunda resignação, e, atreve-mo a dizer com alguma passividade perante tão boas propriedades que nos foram dadas pela Natureza. Sim, não foi ninguém que cá as meteu. 
  O rio que divide a cidade ao meio é um marco importante da nossa história, com um leito cheio de estórias para contar. É caracterizado pelos seus açudes, não com água cristalina, mas com uma “fisionomia” interessante, que ao chegar à ponte velha nos oferece uma paisagem bonita e faustosa. De uma coisa podem ter a certeza, ninguém nos tira esta preciosidade natural. Seria um crime, não referir aquela roda de origem árabe, junto àquela pequena ilha chamada Mouchão, que está em qualquer cartão-de-visita da cidade. No entanto, a despedida das margens do rio, atualmente, na zona do flecheiro é verdadeiramente triste. Enquanto o rio vai embora da cidade, quem chega pela zona sul depara-se com o lixo amontoado que fica preso num velho açude, desaparecendo o lixo apenas quando o caudal em tempo de chuva sobe. Que belo cartão-de-visita! Isto para não falar das margens daquele sítio, tristes e cinzentas. O rio não merece uma despedida assim da cidade. 
  Como já referi, o rio com a sua localização deve ser um ponto essencial na atração de turismo, e do seu verdadeiro aproveitamento. Todos os projetos já programados para o rio são muito bem-vindo, e devem ser devidamente equacionados pelos responsáveis políticos. O rio Nabão pela sua centralidade tem de ser um tema do debate político e não pode ser esquecido, como tende a ser. Não basta ordenar limpezas esporádicas das margens, é necessário encontrar formas de as potencializar. Obviamente, neste capitulo pelo menos tem que ser encontrada uma solução para o Flecheiro de modo a dar vida às margens do rio, e a garantir a sua preservação. Ao fim ao cabo, a água é o bem mais importante que temos no planeta. 
  O rio Zêzere é um exemplo de como o seu aproveitamento noutros concelhos por onde passa, contrasta com a quase passividade com que é encarado entre nós. Este desaproveitamento do Zêzere é uma história bem antiga. A pergunta é simples: o que fazer com o Zêzere? A resposta também: “usar e abusar”. É um ponto de convergência importante de todos os verões. Os banhos, os passeios de barco, as pescarias, e outros aproveitamentos de lazer, tornam o Zêzere um local de culto para ócio. Nem sequer uma singela praia fluvial temos, apenas e por enquanto ao papel ou à imaginação.  Concluindo, e acabando como comecei, Tomar deve aproveitar as potencialidades que a Natureza nos dá. É importante referir, que a nossa cidade, tendo o potencial natural enorme para o turismo que tem, não está dotada de uma visão estratégica onde figure o aproveitamento e a valorização do Nabão e do Zêzere, e das suas bacias.
  O tema “água” é para além de pertinente, um tema sério e reflexão importante.    

segunda-feira, 11 de abril de 2016

BOCAS

 Mário Cobra


     Cafetaria dezena de anos depois

A informação da autarquia segundo a qual a zona desportiva vai beneficiar de uma cafetaria com esplanada, talvez justifique a opinião de que o título melhor enquadrado deverá ser “Dezena de anos depois, cafetaria na zona desportiva”. Isto caso se fale da mesma estrutura prevista na obra do Polis, idos de 2005, tendo mesmo sido colocada a base em madeira, empecilho que ainda lá pode ser visto, indicador da instalação de uma cafetaria. Ou aquela base de madeira era só para recreio canino, como acontece com a barraca erguida no Mouchão e que ainda hoje a sua utilidade permanece como grande segredo autárquico. Seria para instalar uma rataria?  
Salvo melhor opinião, exemplo dos emaranhados autárquicos, da inépcia, das complicações, uma cafetaria na zona desportiva demora uma dezena de anos a anunciar, certamente mais uma dezena de anos a concretizar. 
  
      Fitofarmacêutica na cidade

  No congresso do PSD, José Eduardo Martins, ex-secretário de Estado do Ambiente de Durão Barroso, disse que o partido precisa criar incentivos fortes em áreas como a saúde ou o sector fitofarmacêutico. 
Pois que esse incentivo, que visa destruir partes de vegetais e reduzir ou impedir o seu crescimento indesejável, chegue a Tomar onde, assim se queixam os munícipes, abundam as ervas daninhas.

    Plano Nacional de vacuidades

Anunciado pelo governo de forma assaz mediática, o Plano Nacional de Reformas define prioridades tão vagas e óbvias quanto a qualificação dos portugueses, a transferência de conhecimentos entre as universidades e as empresas, a valorização do território, a capitalização das empresas, a modernização do Estado, e o reforço da coesão social e da igualdade. 
Acrescentamos nós: Honrar pai e mãe e seus legítimos superiores, não invocar a austeridade em vão, guardar domingos e feriados, em especial os repostos, não cobiçar as coisas alheias, não cobiçar a mulher do próximo, em especial se ela não quiser… 

      Acabar com as doutorices

A proposta de Paulo Rangel apresentada no Congresso do PSD foi a de que em documentos oficiais, actos públicos e instituições do Estado deixe de haver tratamento por doutores, engenheiros e arquitectos. Ora, dizemos nós, com o 25 de Abril, deu-se a transformação do chamado ensino, possibilitando aos filhos dos trabalhadores a igualdade de acederem às licenciaturas mandando às urtigas as escolas técnicas. Como valorização dos filhos do pessoal de trabalho, todos os licenciados passaram a designar-se doutores. Haverá agora aldeias onde há doutores casa sim, casa não, quem vai para baixo, em todas as casas, quem vem para cima. Ora, vamos agora acabar com esses estatutos tão popularmente conquistados?    


         Presidente em alta disponibilidade  

A anunciada (no dia 1 de Abril) presença do Presidente da República no Congresso da Sopa não se confirma, porque, sabe o Thomaropinião em primeira boca, que este alto dignitário já se tinha comprometido com a sua presença na sardinhada dos santos na Gualdim Pais. 


domingo, 10 de abril de 2016

TOMAR É O QUE?

António Lourenço dos Santos

A cidade já teve várias qualificações, que foram criadas para servir de mote a varias governações. Foram tentativas certamente bem-intencionadas de criar uma “marca”, que pudesse cunhar um desígnio para Tomar e imprimir um rumo ao desenvolvimento da cidade.
Recordamo-nos de 2 dessas marcas: Cidade Jardim e Cidade Templária. Que é feito delas?
A Cidade Jardim, apreciada à luz do presente, foi iniciativa falhada e infrutífera.
É que de jardins, estamos falados. Já houve, não há. Tivemos jardins-montra, jardins-lazer, jardins-convívio. Jardins de orgulho. Organizados, embelezados com flores, com arruamentos, ordenados e limpos. E havia jardineiros.
Hoje, há espaços desordenados-descuidados-degradados. O Mouchão, até tem uma picada por arruamento central. Espaços com erva onde já houve relva, restos de relva onde já houve flores, ferros onde já houve bancos, algazarras onde já houve musica, tendas onde já houve sombras, degradação onde já houve orgulho e harmonia. A Mata dos Sete Montes, um susto de degradação, por todo o lado. Uma ala central desprezada, arruamentos abandonados, floresta descuidada. Uma desilusão de desaproveitamento e de abandono.  O jardim da Várzea Pequena, sobrevive parcialmente, apesar de anémico. O da Praceta Raul Lopes, para fazer de conta. E outros…que mostram o falhanço do mote e a quase falência dos serviços municipais de parques e jardins. No presente, a originalidade é termos a tentativa de transferir os jardins para os passeios…

E a Cidade Templária, existe ou falhou também?
Desde logo, pouco se dá a conhecer, para alem de cruzes da Ordem de Cristo em bom tempo implantadas nalgumas calçadas, e de bandeiras hasteadas em tempo de qualquer festa. E do uso desordenado da “marca” e da cruz, aqui, ali e acolá, desde a pastelaria à agencia de viagens. Também temos uma festa-cortejo com arraiais e farturas à mistura, e benzedura do Vigário, e algumas Associações de extração recente, que reúnem publicas virtudes e vícios privados.
Um acervo monumental que vale por si, um legado histórico e cultural que adormece, uma implantação no território que está desaproveitada. Falta o Conceito, falta a Visão, falta a Competência.

Entretanto, estava esta Opinião em gesta, o Carlos Carvalheiro, (re)lança, ousado como é hábito, a Cidade Cultura. Desde logo, descanso porque esqueceu a sua original visão da Cidade jardim…
Ora bem, avança uma proposta (com 10 anos de idade…) que não é ousada, mas parece, que é muito sensata e que tem visão. Não é ousada apenas porque é natural. Na realidade, Tomar tem muitos elementos, específicos, que podem compor uma identidade completa e abrangente que tenha fundamento na Cultura. E que podem dar alma uma visão de desenvolvimento. Tomar desde sempre teve Cultura, desde os tempos da fundação do Castelo, da Charola e do Convento. E que Cultura! Boa ideia, esta, Cidade Cultural. Cultura abrangente, cultura criativa, cultura visionária. Realidade e Desejo, diz ele, o Carlos C.  Realidade que aspira por competência, digo eu. Utopia, seja. Aspiração, é.

Entretanto também, já surgiu uma quarta marca! E que confusão reina. Mesmo ao terminar deste apontamento, fomos surpreendidos com a criação ad hoc de mais uma marca para Tomar, a da “Feira da Laranja”. Esta, criada pela Senhora Diretora do Convento de Cristo, que afirmou, segundo consta da imprensa, que “este evento já é uma marca da cidade de Tomar…”. Está bonito…se a malta do vinho e do azeite se lembra…
Certo é que a cidade anda como um barco à deriva. Não está preparada para enfrentar ventos e tempestades, como bem se tem visto. O leme está desgovernado porque não tem rumo definido. Será esse o primeiro passo a dar para parar a deriva. Dar rumo. E desde logo, preparar a rota, renovar a frota, e organizar a equipagem.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

PORTAGENS E INTERIORIDADES

António Lourenço dos Santos

Há interrogações que afligem cada vez que tenho que circular aqui no “Médio Tejo” por Auto Estradas, SCUT e vias do “género pago”. Eis algumas dessas interrogações, e algumas hipóteses de resposta:
Porque é que na A23 podemos transitar sem pagamento, entre Torres Novas e Entroncamento, entre o Entroncamento e Constância, e entre Constância/Montalvo e Abrantes?
ü  Porque as vulnerabilidades decorrentes da interioridade foram devidamente pensadas e combatidas.
ü  Porque a necessidade de facilitar a mobilidade entre localidades vizinhas foi reconhecida
ü  Porque as Autoridades locais quiseram e souberam intervir quando tiveram que o fazer, para assegurar equidade e para facilitar a vida aos habitantes.
Porque é que na A13 não podemos transitar sem pagamento, entre Entroncamento e Tomar, ou entre Asseiceira e Tomar, ou entre Santa Cita e Tomar, e entre Tomar e Ferreira do Zêzere, e nem sequer entre as 2 entradas/saídas para Tomar?
ü  Porque o Entroncamento, Tomar, e Ferreira do Zêzere, têm vista para o mar, e não têm, portanto, problemas de interioridade. Só os distraídos não vêm isso.
ü  Porque as populações do Entroncamento, de Tomar, e de Ferreira do Zêzere, não se querem relacionar entre si e preferem o isolacionismo.
ü  Porque as Autoridades locais estavam distraídas para intervir quando era oportuno, para assegurar equidade e para facilitar vida aos habitantes.
Porque é que aceitamos este estado de coisas?
Não sabemos. Mas ainda é tempo de intervir, por quem tem autoridade e condições para isso. Para facilitar a vida aos habitantes, para compensar os custos e inconvenientes da interioridade, e para facilitar a mobilidade local.
E Outras Questões:
ü  Será para chamar a atenção sobre os custos da interioridade e para dificultar a mobilidade, que somos castigados na A13 com preços de portagens dos mais elevados do País?
ü  E já agora, que é feito de certas promessas eleitorais recentes que garantiam a supressão de portagens no interior? Na A23 e na A13? Dissiparam-se nos corredores da AR? 
ü  E já agora, porque é que a A13 não tem nenhuma área de serviço com abastecimento de combustíveis, como estava previsto no contrato de concessão? Terá sido revisto? Ou a PPP meteu marcha à ré?   


segunda-feira, 4 de abril de 2016

ABRILADO ABALANÇAR

  Mário Cobra  

   Uma nesga de proximidade ao eventual leitor suscitou este pretensioso abrilado balanço (não autorizado) de um mês de existência do Thomaropinião, despique regado à mesa do petisco. Dirá de sua justeza o leitor mais cáustico, pois, conversa pífia, de engonhas, o petisco terá sido mesmo o ponto básico da ordem de trabalhos, partilha de ideias espera aí já perdem tempo com isso.  
     Mesmo assim, terá dito um participante dos cépticos que ainda não se encontra convencido dos blogues ofuscarem o aroma e ductilidade do papel/jornal (nem dará muito jeito levar o computador para a casa de banho, sala de leitura de quem assim obra. Obra lendo). Outro participante mais térreo disse acreditar no valor natural dos blogues como uma planta onde se podem colher frutos quase diariamente, necessitando para isso de cuidados constantes, como nas hortas se regam as novidades, mesmo opinativas. Sejam novidades da fava, da ervilha, do pepino ou do tomate. Outro participante assumiu quanto, mesmo escrevendo textos ditos “sérios” (não esquecendo que séria era nossa prima e foi o que viu), pois, mesmo assim, o entrelaço de opiniões o divertem à brava. Há pessoas de tal jaez, como há outras de diferentes quilates. Fica o registo de quanto a opinião pode ser um divertimento. Outro participante porque lhe dá jeito o bloguiano desabafo do momento, como alívio de bexiga, ou de paciência exaurida, já que, nos jornais, espaços disputados a peso de antiguidade ou estatuto, só se desafoga com data de sexta-feira, alvíssaras de distribuição à quinta, reflexo de quanto a notícia antes de o ser já o era. Outro participante assumiu ser detentor de talento para a piada, vulgo boca, fazendo mesmo um desenho para se fazer entender, mas o busílis reside no pormenor não despiciendo do jacto da verve demorar a aquecer os motores, muitas vezes só depois de muito bem regados…os motores. Outro participante lamentou a falta do imprescindível feedback, como se declamasse poemas do Bocage para uma plateia vazia. Para ele, escrever num blogue sem feedback será como comer frango assado sem picante. Outro participante admitiu que um blogue é o que cada um dos escreventes quiser que seja. Pois assim seja. Outro participante abordou a questão sempre lírica das motivações de quem escreve de forma constante num blogue: ou por interesse de promoção pessoal ou pela paixão pela escrita. Sendo que, tal como nos casamentos, se for por interesse certamente dura mais tempo. As paixões esgotam-se de forma mais rápida porque é da sua natureza, dá com força mas passa depressa.       
     Entrecruzaram-se falhas, omissões, quejandos e motivações. Uns porque prometeram participação asada e nunca sequer todavia contudo justificaram as faltas de comparência. São Relambório os castigue. Momento ainda para glosar um artefacto quando se constatou que um novo colaborador indicado por um dos bloguistas já se havia finado há uns meses. Oportunidade do Thomaropinião se promover a nível mundial e arredores caso o defunto, lá da esvaída bruma da eternidade, pudesse colaborar com  prosa digna de epifania “Convidado a participar no Thomaropinião, na qualidade de falecido posso testemunhar que o Paraíso existe, fica na Corredoura. Sinto saudades do café porque aqui nem o cheiro”. Outros porque os afazeres não lhes permitem, outros porque a sua vida não é esta, outros porque quem muito burros toca, todos ficam para depois (anda burro que amanhã é sábado). Outros porque torna, outro porque deixa…porque deixa andar.
     Por isso, em conclusão, deixa andar e logo se vê onde isto vai parar. Valha a verdade, o vinho branco animou o palato justificando a croniqueta ora escorrida.



domingo, 3 de abril de 2016

TENHO PENA, MAS TAMBÉM CULPA...

  Rui Ferreira

  Quando era criança acalentava, naturalmente, opiniões acerca das coisas do mundo.
  Lembro-me que uma delas era sobre os encostos de cabeça nos automóveis. Para mim, esses apêndices almofadados no topo dos assentos só poderiam servir para simular a presença de pessoas dentro do habitáculo, afastando os ladrões e garantindo assim a segurança dos veículos.
  Uma outra relacionava-se com a televisão: Eu afirmava a pés juntos que as motocicletas, mesmo passando ao longe, provocavam interferências na emissão e causavam uns riscos ondulados na imagem.
  Mas havia mais!... Ó se havia! No entanto, choques elétricos, cabeças partidas e outras experiências da vida, foram constituindo oportunidades para ajustar a minha opinião acerca de muitos assuntos. Em suma, o delicioso exercício da tentativa e erro, o doloroso raciocínio ou mesmo a pragmática aceitação da opinião de outros moldaram, e moldam, a minha “maneira de ver as coisas” 
  Hoje em dia, apesar de aturados cálculos e experiências, não tenho total certeza de que a luz do frigorífico se apaga quando fecho a porta. No entanto admiro todos aqueles que não têm dúvidas. De facto, tanto nas ciências exatas como a demografia, até às ciências humanas como a história ou a política, constato haver gente que não sofre de dúvidas. São cidadãos que atingiram o “olimpo da razão”.   
  Entretanto a “meia idade” tem-me possibilitado observar alguns fenómenos humanos cíclicos que radicam, não só na ignorância do percurso dos nossos antepassados, como também na falta de humildade que certos idealismos inflamam.
  Não querendo, de modo algum, concretizar a minha anterior afirmação, sinto simplesmente pena que, neste pequeno concelho, se vislumbrem tão poucos entendimentos.
  Li um livrito que acabava assim: “Uma vida de homem só se justifica pelo esforço, mesmo desafortunado, de melhor compreender. (…) Quanto mais eu compreendo, mais amo, pois tudo o que se compreende está certo”
Quão banal seria o mundo dos homens se todos tivessem o conhecimento e a consciência de tudo?



sexta-feira, 1 de abril de 2016

REFUGIADOS CÁ DENTRO

António Alexandre

  O Refugiados não vem para Portugal, é uma frase que me levou a olhar para este assunto de modo diferente do que a maioria, que preocupando-se com as dificuldades reais de incalculável número de pessoas desalojadas, pela guerra nos seus países, se esquecem que cá neste paraíso à beira mar plantado, existem na verdade muitos milhares de pessoas a viverem pior ou como os refugiados.
Nasceram em Portugal e sempre cá viveram,  em condições deploráveis, sem os mínimos de qualidade para viverem, nas margens da exclusão social e do próprio Estado. Sem as condições mínimas de vida, emprego, casa, luz, água, etc.
  Quando me deparei com a luta de uma mulher, que só pretendia ter luz eléctrica na sua casa e da restante família, julguei que com algum esforço da minha parte conseguisse ajudar a resolver essa questão, que me parece simples. Engano meu, passados vários meses nada acontece, só muros de surdos.
  O Estado faz vista grossa, entra a normal burocracia, que nos come impostos sendo da maior inutilidade e algumas outras entidades, fazem de conta que ajudam as pessoas, mas na verdade pouco mais fazem do que distribuir alimentos, que outros lhes  dão e as entregam para distribuir. . Existe muita insensibilidade nas organizações de assistências do estado, que as torna incapazes de ir mais longe e aos problemas.
  E muito faz de conta, que não vai ao fundo dos problemas e muito menos abre caminhos para as soluções e a dignidade das pessoas. As entidades vão fazendo vista grossa, sem irem no caminho das soluções, como é normal no Portugal real.
  Quando catorze cidadãos vivem na estrada de Bexiga Freguesia de Paialvo, concelho de Tomar, sem electricidade da EDP, mas conseguem ter dois contadores de água e pagar esses consumos todos os meses aos SMAS, quando os miúdos á noite para estudarem têm de o fazer a candeeiro a petróleo, não podem ter um frigorífico ou ver uma televisão, no ano de 2015, o que é isto senão refugiados portugueses a viver em Portugal.
  Quando uma mãe não consegue que um seu filho doente, tenha a devida medicamentação, porque não tem electricidade em casa, embora a queira pagar, como paga a água. O que é que esta gente pode pensar sobre o estado e o pais em que nasceu, em que muita gente se mobiliza para ajudar os outros, mas nada faz pelos que moram ao seu lado.
  Quando vejo e sobretudo oiço falar dos graves problemas dos refugiados e vejo tanta gente e bem, interessar-se pelos ajudar, interrogo-me, se os nossos concidadãos por estarem tão perto não merecem igual preocupação e ajuda. É muito faz de conta, esta sociedade portuguesa actual.
  Claro que só vejo uma forma de ajudar esta gente, é chamar a SIC a TVI e a RTP, talvez assim a solução apareça finalmente
 Talvez assim o sistema funcione e esta dúzia de cidadãos portugueses, deixem de ser refugiados na terra em que nasceram.